Neo-Tokyo está prestes a explodir: relançamento de Akira nos cinemas

O clássico anime de cyberpunk retorna aos cinemas brasileiros em 27 de agosto depois de 35 anos, e a Macabra relembra a produção.

Em 1988, chegava aos cinemas Akira, anime que se tornou um dos grandes clássicos do cyberpunk e que narra os perigos que o jovem Kaneda enfrenta para salvar seu amigo Tetsuo em uma Tóquio futurista e semidestruída. Desde seu lançamento, a obra se tornou uma das mais celebradas, e sua relevância para a cultura e para o gênero é reverenciada e gerou inúmeras influências.

O clássico anime de cyberpunk retorna aos cinemas para a celebração de 35 anos desde sua primeira exibição nos cinemas brasileiros, em 1991. A Macabra relembra a produção para comemorar o aniversário e te conta algumas curiosidades. Vem com a gente. 

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2019, Neo-Tokyo

Depois de uma guerra mundial que destruiu Tóquio em 1988, uma nova Tóquio surgiu: Neo-Tokyo, dominada pela violência, conflitos de gangues, corrupção e protestos contra o governo, o lugar se tornou perigoso. Kaneda, líder de uma das gangues locais, está conduzindo uma corrida ilegal quando um de seus amigos, Tetsuo, acaba sofrendo um acidente envolvendo um jovem chamado Takashi, que possui um certo tipo de sexto sentido. Tendo fugido de uma instalação do governo onde sofria experimentos, Takashi é recapturado, e Tetsuo acaba no hospital. 

Depois de hospitalizado, um dos oficiais descobre que Tetsuo também possui poderes, o que chama uma atenção para ele bastante perigosa. A partir de então, Kaneda fará o possível para ajudar Tetsuo e as outras pessoas que sofrem com os procedimentos experimentais nas instalações do governo, e enfrentará um submundo cheio de corrupção e segredos.

Adaptação do mangá

O clássico longa-metragem em animação foi adaptado do mangá de mesmo nome de Katsuhiro Otomo, que, além de mangaká, também é roteirista, animador e cineasta. De início, Katsuhiro não pretendia que seu mangá, que conta com mais de 2000 páginas, pudesse ser adaptado para outras mídias, pois havia tido experiências ruins no passado. Entretanto, ele ficou curioso quando a proposta surgiu, mas se manteve firme: ele queria a completa liberdade criativa sobre o projeto.

Katsuhiro dirigiu a adaptação, lançada em 1988, e uma empresa, a The Akira Committee, foi formada para que o longa-metragem em animação pudesse ser realizado. Consistindo em uma junção de várias empresas de entretenimento japonesas — Kodansha, Mainichi Broadcasting System, Bandai, Hakuhodo, Toho, LaserDisc Corporation e Sumitomo Corporation —, o conjunto reuniu 500 milhões de ienes para a realização do projeto — o orçamento total, posteriormente, seria em cerca de 700 milhões.

Alta tecnologia

Muitas técnicas foram usadas para que a animação se tornasse realidade. A produção da animação foi realizada pela Tokyo Movie Shinsha (hoje, TMS Entertainment). As imagens geradas por computadores, originalmente pensadas para animar cenas do Dr. Onishi e os padrões usados por eles, mas posteriormente usadas também para detalhes como animar objetos em queda e ajuste de iluminação de reflexos de lente, foram feitas pelo High-Tech Lab. Japan Inc. e pela união das produtoras Sumisho Electronic Systems, Inc. e Wavefront Technologies.

Mas talvez o mais interessante em relação à produção da animação tenha sido sobre a dublagem. Utilizando a técnica de diálogos pré-gravados, a animação das bocas dos personagens foi feita com os sons já tendo sido produzidos, algo realizado em um anime pela primeira vez com Akira, e ainda hoje muito pouco usual nos animes no geral. 

Influência duradoura

Akira alterou para sempre a forma como os animes eram vistos no Ocidente. Se até então muitos deles, que chegavam a nós, eram vistos como animações para crianças, Akira ajudou a arrombar uma porta que, até então, estava encostada: desde então, muitos animes chegaram a nós, com temáticas variadas e níveis de “seriedade” diversos. Ghost in the Shell (1995) e Neon Genesis Evangelion (1995) são dois com temáticas semelhantes, mas também podemos citar Túmulo dos Vagalumes (lançado no Canadá em 1988, mas chegando no restante do Ocidente apenas em 1989), Paprika (2006) e tantos outros.

Mas, além disso, a influência de Akira se estendeu também para produções ocidentais. É impossível não pensarmos em Stranger Things, por exemplo, quando nos deparamos com Takashi, Tetsuo e os experimentos de laboratórios. Mesmo que não seja o primeiro filme a trabalhar com o cyberpunk, muitas produções posteriores também beberam de sua fonte, como Matrix (1999) e Looper (2012). 

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Histórias de bastidores

Para celebrar o retorno de Akira às telas de cinema, a DarkSide® Books preparou uma edição indispensável para os fãs de animação japonesa e ficção científica. Neste lançamento em parceria com o British Film Institute (BFI), Michelle Le Blanc e Colin Odell fazem uma análise detalhada do filme, investigando a importância histórica e revelando a engenharia artística que transformou um mangá revolucionário em um dos filmes mais influentes de todos os tempos.

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Além do texto original, Akira: Making of da Explosão Criativa reúne conteúdo extra exclusivo assinado pelo crítico e pesquisador Eduardo Reginato, especialista em cinema de horror, fantasia e ficção científica, e curador de mostras dedicadas a cineastas como Terry Gilliam, Mel Brooks e Frank Capra, além dos lendários estúdios Hammer.

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Akira retorna aos cinemas em 27 de agosto. E você, já assistiu ao filme? Pretende revê-lo nos cinemas? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.