Talvez você já tenha ouvido falar do nome de Marjane Satrapi por aí. A escritora e ilustradora ficou conhecida, principalmente, por sua graphic novel Persépolis, publicada no início dos anos 2000, sobre uma garota vivendo no Irã. Em 2007 a história foi transformada em filme pelas mãos da própria autora.
Mas, Satrapi também teve uma contribuição bem interessante para os filmes de horror.
Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, e estudou no liceu Francês em Teerã. Sua família, que tinha alguns hábitos bastante ocidentalizados, sofreu com a Revolução Iraniana. Se antes da Revolução Iraniana, em 1979, o Irã era um país pró-Ocidente, e estava sob regime monárquico de Xá Mohammad Reza Pahlevi, após a Revolução o Ocidente não era tão bem visto assim, se transformando em um regime de República Islâmica Teocrática, comandada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.
Após a Revolução, e após atrair atenção de órgãos do governo por continuar seguindo o que acreditava e fazendo suas vontades, consumindo a cultura do Ocidente, Satrapi foi enviada para Áustria para estudar. Retornou ao Irã, tendo estudado Artes, e após um relacionamento que não deu certo, voltou a Europa, em 1993, conseguiu o diploma de Artes em Paris, e acabou se mudando de vez para lá ao final dos anos 1990.
Persépolis nasce nesse momento, já com Satrapi morando em Paris definitivamente, com essa vontade de contar sua história de infância, durante todo aquele movimento de disputa política que acontecia em seu país natal. Satrapi escreve, de certa forma, um quadrinho autobiográfico, tentando contar como era a vida de uma criança nesse momento.
Após Persepolis, Satrapi continuou escrevendo e desenhando sobre suas memórias, nas graphic novels Bordados, de 2003, que conta a história de mulheres, incluindo sua mãe e sua avó, vivendo no Teerã, e Frango com Ameixas, de 2004, que conta a história de seu tio avô, que durante uma briga, teve seu tar, um antigo instrumento persa, destruído. Seu tio avô parte em uma busca infrutífera para substituir o instrumento quebrado, o que o leva em uma jornada de questionamentos de identidade e discussões familiares.
Em sua jornada como diretora, Satrapi dirigiu, com colaboração de Vincent Paronnaud, em 2007 o filme animado de Persépolis, que recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Em 2011, também com Paronnaud, dirigiu o filme de Frango com Ameixas. Em 2012 fez sua primeira incursão na direção sozinha, dirigindo La bande des Jotas, um filme sobre uma confusão de duas malas em um aeroporto, que acaba reunindo duas vidas completamente diferentes.
Dessa trajetória, um dos resultados interessantes de Satrapi como diretora foi As Vozes, um filme de comédia de horror, escrito por Michael R. Perry e lançado em 2014.
O filme conta com Ryan Reynolds como o protagonista Jerry, um homem bastante simples que tem uma paixão avassaladora por uma colega de trabalho. O problema é que Jerry é tímido, e, para piorar, começa a falar com animais. Quando Jerry finalmente consegue levar a moça que é apaixonado para sair, os eventos do encontro acabam sse tornando um pesadelo.
O filme ainda tem Gemma Arterton e Anna Kendrick como duas das colegas de trabalho de Jerry, além do detalhe divertidíssimo que Reynolds faz as vozes de todos os animais com que interage. Apesar da grave suspeita de que Jerry realmente é um homem desequilibrado e bastante sozinho, às vezes nos perguntamos se as vozes realmente estão lá, o que só aumenta o clima de tensão do filme.
O filme seguinte de Satrapi, Radioactive, é um filme biográfico sobre Marie Curie, cientista e física polonesa, com Rosamund Pike e Anya Taylor-Joy no elenco. O filme estreou em 2019.
Todos esses trabalhos de Satrapi só demonstram como a mesma é uma artista versátil, que sabe combinar elementos narrativos muito bem. Seus filmes não se mantem presos a um único gênero, percorrendo várias formas de se contar uma história. Seja adaptando suas graphic novels, ou dirigindo uma história sobre um homem com sérios problemas que fala com animais, Satrapi tem extremo controle de suas decisões e escolhas enquanto diretora, e nos apresenta algo novo e divertido em cada filme que dirige.
Marjane Satrapi é uma grande autora e uma excelente diretora, que se debruçou sobre os filmes de horror somente uma vez, criando uma obra única e bastante interessante. Torcemos para que ela acabe dirigindo outros filmes do gênero e buscando novos horizontes.
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