O que faz de um livro uma obra transgressora? O choque pode ser um começo, mas dificilmente é o bastante. Livros realmente transgressores atravessam limites, desafiam certezas e colocam o leitor diante de ideias, imagens e perguntas que ele talvez preferisse evitar. Não se contentam em causar desconforto e ficam na cabeça muito depois da última página.
Da ficção mais aterrorizante aos casos reais que revelam os extremos da experiência humana, não faltam livros dispostos a testar os limites do leitor. A Macabra preparou uma seleção de algumas das obras mais transgressoras já publicadas pela DarkSide Books, perfeitos pra quem não se importa em perder algumas noites de sono pensando no que acabou de ler.
A Garota da Casa ao Lado

Jack Ketchum // Jack Ketchum é um dos maiores nomes quando pensamos em literatura violenta e perturbadora. Seu trabalho ostenta uma crueza e uma atenção aos detalhes que é impressionante, e seus personagens são, antes de tudo, humanos, demasiado humanos. Em A Garota da Casa ao Lado, Ketchum utiliza um crime de extrema violência que chocou as audiências norte-americanas, a tortura de Sylvia Likens, e escreve o livro mais enervante de sua carreira — e um dos mais assombrosos da literatura como um todo. Na história, o narrador relembra quando, em seus tempos de criança, os vizinhos acolheram uma jovem e sua irmã e ele assistiu (e fez parte) de sessões intensas de abusos e torturas.
LEIA+: CASO SYLVIA LIKENS: O CRIME QUE DEU ORIGEM AO LIVRO A GAROTA DA CASA AO LADO
Quando os Adams Saíram de Férias

Mendal W. Johnson // Assim como A Garota da Casa ao Lado, Quando os Adams Saíram de Férias, de Mendal Johnson, é um livro transgressor porque direciona nossa visão para os terrores praticados por aqueles que deveriam ser inocentes: crianças. Enquanto o livro de Ketchum utiliza uma jovem da mesma idade que eles como vítima e aqueles adolescentes são liderados por uma adulta, aqui, no livro de Johnson, a vítima é uma jovem mulher — uma babá — e seus algozes são apenas crianças. Não queremos dar spoilers aqui, mas o final desse livro não é apenas perturbador, como também absurdamente arrepiante.
Mãe Má, Pai Cruel

Jack Rosewood // É assustador pensar que pais e mães podem assassinar os próprios filhos, mas uma coisa que a história do true crime nos mostra, é que essa é uma realidade. O livro de Jack Rosewood Mãe Má, Pai Cruel é um grande exemplo disso: com mais de trinta casos da história recente dos Estados Unidos, Rosewood nos mostra familiares — pais e mães — que sucumbiram às mais complexas fragilidades — do vício ao ciúme, dos desequilíbrios emocionais à religião — e assassinaram seus filhos de maneiras cruéis. Transgressor por colocar o dedo em local que deveria ser sagrado para muitos, que é a santidade da família, Rosewood leva por um caminho tortuoso e perturbador.
Anjos Cruéis

Daniel Cruz // Assim como ficamos de cabelo em pé ao ouvir histórias de mães e pais que assassinaram os filhos, também ficamos arrepiados de ouvir histórias de crianças assassinas. Nesse sentido, Anjos Cruéis é um prato cheio para os fãs de histórias reais e de livros transgressores. Com diversos casos que perpassam várias décadas e vários países, Daniel Cruz nos apresenta a história de alguns dos mais jovens assassinos que temos notícia. Esse aqui é para terminar de ler completamente maluco da cabeça.
O Assassino em Mim

Jim Thompson // Existem personagens imorais e cruéis e existe o protagonista de O Assassino em Mim, de Jim Thompson. Ainda assim, enquanto lemos as atrocidades cometidas por esse subxerife texano chamado Lou Ford, não duvidamos de que essa pessoa possa existir — a forma como Thompson criou esse personagem e o fez totalmente crível é, talvez, um dos pontos de maior tensão do livro. Na história, Ford parece ser um homem pacato e comum, mas guarda segredos horríveis. Conforme esses segredos começam a cair por terra, Ford passa a agir como um animal acuado, e desce cada vez mais fundo na violência.
Casa de Folhas

Mark Z. Danielewski // Diferente dos outros livros da lista até aqui, Casa de Folhas não possui uma violência crua e desvairada, muito menos personagens que ultrapassam o limite da moralidade. Por outro lado, o livro de Mark Z. Danielewski apresenta um nível de transgressão diferente: a da forma, da narrativa, do modo como se conta uma história. No livro, começamos conhecendo Johnny Truant e como ele encontrou esses escritos de Zampanò, um idoso cego e recluso encontrado morto em seu apartamento, que conta, nesses escritos, a respeito de uma família que vive em uma casa com estranhas leis da física.
O Demônio de Gólgota

Frank De Felitta // Todos conhecemos histórias de exorcismos aterrorizantes — de Exorcismo, de Thomas Allen, a respeito de uma história real que aconteceu em 1949 e inspirou O Exorcista, a Possessão, de Felicitas D. Goodman, sobre um caso na Alemanha nos anos 1970 que inspirou o filme O Exorcismo de Emily Rose. Mas O Demônio de Gólgota, de Frank De Felitta, assim como os outros livros do autor, tem algo de extremamente cru e aterrorizante — e, claro, de transgressor. Os anos 1970 e 1980, aliado ao pânico satânico e a quantidade de histórias sobre exorcismos surgindo, também houve um boom de histórias em que parapsicólogos investigando locais assombrados. Publicado originalmente em 1984, O Demônio de Gólgota surgiu nesse contexto. Na história, dois parapsicólogos vão até o Vale de Gólgota para pesquisar uma igreja que, acredita-se, é amaldiçoada. Lá, um padre já tenta exorcizar o local. O problema é que o exorcismo se tornará um fardo grande demais para todos eles.
Saboroso Cadáver

Agustina Bazterrica // Já vimos, também, muitas pragas assolando os seres humanos e vários tipos de epidemias. Mas Saboroso Cadáver, de Agustina Bazterrica, nos leva a uma possibilidade assustadora para muitos de nós: um vírus que ataca animais e deixa suas carnes impróprias para consumo faz com que a alimentação dos seres humanos precise ser transformada completamente. A partir daí, você já deve imaginar para onde alguns seres humanos se voltam para continuar consumindo carne… né? Ao repensar um item tão básico da vida humana, Bazterrica vira nossa noção de sermos humanos de cabeça para baixo. Transgressor e perturbador!
*
Quais seus livros transgressores favoritos? E qual desses da lista você já leu? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

