Quem cresceu nos anos 2000 com o início da popularização da internet nas casas brasileiras e a promessa de que o avanço da tecnologia traria apenas benefícios à nossa vida, não poderia imaginar o caos em que nos encontraríamos apenas algumas décadas depois.
Apesar de os leitores de ficção científica poderem, hoje, soltar um grande e sonoro “eu avisei” a todos nós, nós duvidamos que algo tão interessante pudesse causar tanta preocupação. Mas estamos aí, com a inteligência artificial, as agências multimilionárias e seus foguetes que explodem, as explorações cada vez mais profundas de recursos naturais e tantos outros problemas que podem logo menos transformar a Terra no pior cenário apocalíptico que um filme de terror já ousou imaginar. 🙂
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Desculpe, leitor, por ter pesado o clima. A Macabra mergulha no universo aterrorizante da interseção entre terror e ficção científica e recomenda 9 filmes desconcertantes da era da internet, onde ela tem um papel fundamental em meter muito medo em humanos assustados.
Faces da Morte

Faces of Death, 2026 // Uma das mais recentes sensações do terror é o novo Faces da Morte, dirigido por Daniel Goldhaber, uma releitura do clássico do gore dos anos 1970, e que dessa vez é protagonizado por Barbie Ferreira e Dacre Montgomery. O filme atualiza a história para a era da internet, trazendo Margot (Ferreira) como sua protagonista, uma jovem moderadora de um site que encontra uma série de vídeos violentos que reproduzem as mortes de um filme.
Kairo

Kairo, 2001 // Antes de todos os filmes sobre os terrores da internet, porém, talvez o maior predecessor desse subgênero tenha sido Kairo, de Kiyoshi Kurosawa. Na história, estranhos fenômenos levam um grupo de pessoas a sugerir que espíritos estejam tentando vir para o mundo terreno através da internet. O filme teve um remake norte-americano intitulado Pulse (2006), dirigido por Jim Sonzero — o filme contaria com a direção de Wes Craven originalmente.
Medo Ponto com Br

Feardotcom, 2002 // Um detetive de Nova York se vê envolvido em um mistério bastante estranho: mortes estão acontecendo na cidade 48 horas após as vítimas terem entrado em um site chamado feardotcom. O filme não fez muito sucesso quando lançado, com muitas comparações de críticos ao clássico de Cronenberg Videodrome, mas ele foi um dos primeiros, ao lado de Kairo, a utilizar a internet como um condutor do sobrenatural. Dirigido por William Malone, o filme foi protagonizado por Stephen Dorff, e contou com nomes como Udo Kier e Jeffrey Combs como elenco de apoio.
Onde Está Megan?

Megan Is Missing, 2011 // Seguindo o sucesso de As Fitas de Poughkeepsie (2007) e Lake Mungo (2008), Onde Está Megan?, filme dirigido por Michael Goi, utiliza o subgênero de found footage para abordar os perigos de se envolver com estranhos na internet. Na história, Amy (Amber Perkins), melhor amiga de Megan (Rachel Quinn), tenta descobrir o que aconteceu com a garota que, certo dia, desapareceu após ter ido se encontrar com um jovem que conheceu on-line.
País da Violência

Assassination Nation, 2018 // Na cidade de Salem, uma nova caça às bruxas é iniciada quando um hacker começa a expor segredos dos habitantes do local na internet. Quem mais sofre com a situação são as jovens Lily (Odessa Young), Em (Abra), Bex (Hari Nef) e Sarah (Suki Waterhouse). Quando a cidade parte para a violência, as quatro terão que fazer o possível para se manterem salvas. Escrito e dirigido por Sam Levinson, uma das mentes por trás da série Euphoria,
Perseguição

Ratter, 2015 // Um tema comum entre os filmes de tech-horror e os perigos da internet são os de perseguidores on-line e o fácil acesso a computadores para stalkers. Em Perseguição, de Branden Kramer, uma jovem tem que lidar com sua vida virando de cabeça para baixo quando um perseguidor consegue acesso a todos os seus dispositivos eletrônicos, fazendo com que a garota perca qualquer sentimento de segurança mesmo em casa.
Cam

Cam, 2018 // Alice (Madeline Brewer), uma jovem que faz vídeos e fotos eróticos em uma plataforma na internet, acorda certo dia e descobre que sua imagem foi substituída por uma cópia exata dela mesma. Dirigido por Daniel Goldhaber, o que parecia apenas um filme em meados de 2018 se tornou real demais hoje, quando a inteligência artificial consegue emular tanto a imagem quanto a voz de pessoas, apresentando fotos e vídeos de situações nunca vividas por elas que beiram a perfeição.
We’re All Going To The World’s Fair

We’re All Going To The World’s Fair, 2021 // Com a popularização da internet, houve também uma forma de pessoas solitárias encontrarem comunidades e grupos dos quais se sentissem à vontade, mas isso também pode ser perigoso. Casey (Anna Cobb), uma dessas jovens, passa a jogar um RPG on-line chamado World’s Fair Challenge, e, após ser iniciada no jogo, começa a documentar suas mudanças. Mas não demora muito até que Casey começa a confundir a realidade do que está havendo on-line. We’re All Going To The World’s Fair é dirigido por Valeria Santiago e Jane Schoenbrun, e apesar de não ter presenças sobrenaturais, como a maioria dos outros filmes dessa lista, é uma produção, pautada na realidade, que consegue passar o sentimento de tensão.
Perfil

Profile, 2018 // Embora outros filmes dessa lista utilizem casos reais para construírem suas histórias — como Onde Está Megan? que usa alguns relatórios de garotas desaparecidas como base para o filme —, Perfil, de Timur Bekmambetov, vai um pouco além, sendo realmente baseado no livro In the Skin of a Jihadist, de Anna Erelle. Na história, uma jornalista britânica se infiltra em fóruns on-line do Estado Islâmico para compreender como são feitos os recrutamentos de jovens mulheres para a ISIS. A internet, assim como muitos feitos da humanidade, se tornou, também, uma arma para a guerra, e Perfil mostra como isso pode ser perigoso.
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