Hoje, o nome Stephen King ecoa no coração dos fãs de terror — e até mesmo daqueles que não são lá muito fãs do gênero, mas que, ainda assim, reconhecem o trabalho do autor. Ao longo desses anos, King construiu uma carreira sólida e aterrorizante, com grandes sucessos nos livros, filmes, quadrinhos e inspirou games e músicas.
Tudo começou, porém, com uma garota com poderes telecinéticos. Carrie, a Estranha, um livro resgatado do lixo, foi aquele, também, que catapultou King ao estrelato. Apenas dois anos após seu lançamento, um cineasta que ainda não tinha emplacado um grande filme, acabou adaptando a obra. E aí, a vida de ambos mudou.

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Celebrando os 50 anos de Carrie, a Estranha, a Macabra te conta um pouco mais sobre a produção do filme, suas outras versões e o que podemos esperar da próxima adaptação, conduzida por Mike Flanagan. Vem com a gente!
A história do livro
Carrie White é uma jovem garota, com uma educação extremamente conservadora e uma mãe fanática religiosa, que cresceu cercada por histórias de como o pecado é aterrorizante. Na escola, sem nenhum amigo, ela é quase invisível, não fosse pelo fato de todos a acharem estranha. A situação piora quando, certo dia, sua primeira menstruação desce em pleno banho, cercada pelos olhares das garotas que a ridicularizam, sem que ela entenda o que está acontecendo.

Carrie, a Estranha, se desenrola a partir desse acontecimento: conhecemos Carrie após termos visto essa situação, somos apresentados à sua realidade e à sua mãe, e conhecemos também seus colegas de escola e alguns de seus professores, até o fatídico momento em que tudo vai pelos ares — quase literalmente.
Com múltiplos narradores e, em partes, um livro epistolar — com recortes de notícias entre outros escritos —, King o escreveu, originalmente, como um conto, e iria enviá-lo à revista masculina Cavalier. Inspirado em duas garotas que conheceu no colégio, King, de início, desistiu de escrever o livro por se sentir apático e desconfortável com a personagem, jogando o manuscrito fora. Quem resgatou as páginas da lixeira foi Tabitha, esposa do autor e também escritora, autora de Pequenas Realidades e coautora de Chamas Vivas.

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Publicado originalmente em 1974, as vendas de Carrie, a Estranha não foram massivas logo de cara. Apesar da visão dos editores, de que a história tinha potencial, e até nas apostas de capas especiais — uma delas dupla —, o sucesso veio, realmente, apenas em 1976, depois da primeira adaptação para o cinema, dirigida por Brian de Palma.
Se eles soubessem que ela tinha o poder…

O grande responsável pela “rapidez” com que o livro foi transformado em filme, no final, foi Brian de Palma. Àquela altura, De Palma havia dirigido alguns filmes que hoje são facilmente lembrados, como O Fantasma do Paraíso, mas que ainda não eram sucessos. Então, ele leu o livro de King, sugerido por um amigo em comum de ambos, e achou o livro incrível.
Ao perguntar por aí, descobriu que ninguém ainda havia comprado os direitos de adaptação, e descobriu que alguns estúdios estavam interessados. Então, fez o que podia: ligou para algumas pessoas que conhecia, disse que o livro era impressionante, e que ele mesmo estava interessado em dirigi-lo.
Apesar de, durante alguns meses, nada ter acontecido, logo De Palma recebeu boas notícias: a United Artists havia entrado no projeto, que contava com um primeiro rascunho de roteiro escrito por Lawrence D. Cohen — que, mais tarde, também escreveu o roteiro para Histórias de Fantasmas, adaptação do livro Ghost Story, de Peter Straub, bom amigo de King.

De início, a UA concedeu apenas 1,6 milhões como orçamento para Carrie, a Estranha, que eventualmente aumentou para 1,8 milhões. O filme foi considerado o melhor de 1976, e logo entrou para a lista dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Sua bilheteria ficou em cerca de 33 milhões de dólares. Hoje, é difícil algum fã de terror que não conheça sua história.
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As outras versões
Carrie é uma história atemporal. Ela é facilmente reconhecida por todas as gerações de garotas que se sentiram inadequadas ao padrão na adolescência, e, com certeza, muitas sonharam em possuir os poderes da protagonista. Então, não é difícil entender porque, conforme os anos avançam, novos filmes sejam feitos.

Em 1999, uma sequência para a história foi produzida, intitulada A Maldição de Carrie. Com direção de Katt Shea, o filme foi massacrado pelo público e crítica e considerado uma grande falha na bilheteria. Acompanhando a jovem Rachel (Emily Bergl), que tem poderes telecinéticos, a história segue um caminho semelhante ao de Carrie, mas com algumas particularidades interessantes: focando muito mais na questão sexual das personagens, Shea atualizou a história e conseguiu conectá-la à personagem original. Hoje, o filme vem conquistando mais fãs, que percebem que, na época, foi um pouco injustiçado.

Poucos anos depois, em 2002, um filme produzido para a TV foi lançado. Dirigido por David Carson, com roteiro de Bryan Fuller, o filme apresenta Angela Bettis no papel de Carrie White. Adaptando alguns eventos para os dias contemporâneos à produção, com uso de tecnologia e outros detalhes, o filme pretendia manter uma cadeia de eventos mais fiel ao livro. Apesar disso, o final difere completamente da obra original, porque, na verdade, pretendia ser o gancho para uma série sobre a personagem.

Na década seguinte, em 2013, um novo filme foi lançado. Dirigido por Kimberly Peirce, o filme contou com Roberto Aguirre-Sacasa, que também foi responsável pelo desenvolvimento de O Mundo Sombrio de Sabrina, Riverdale e Pretty Little Liars: Original Sin. A série foi protagonizada por Chloë Grace Moretz, com Julianne Moore no papel de Margaret White. A produção também adapta o cenário e o contexto, inserindo detalhes mais contemporâneos, como a ampliação do bullying através da internet.

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Além desses longa-metragens, Carrie, a Estranha, também foi adaptada como musical da Broadway em 1988. A montagem, que teve 16 apresentações, é considerada uma das maiores falhas na história da Broadway. Em 2012, Off-Broadway, uma versão não musical foi refeita, com o roteiro todo revisado por Lawrence D. Cohen. No Brasil, o musical de Carrie recebeu algumas montagens a partir de companhias de teatro independentes.

Em 2026, Carrie receberá uma nova versão pelas mãos de Mike Flanagan. Quem interpretará Carrie dessa vez será Summer H. Howell, que já esteve em algumas produções do gênero, como O Culto de Chucky (2017), Channel Zero (2016–2018) e Sangue Possuído (2024). Samantha Sloyan, já antiga colaboradora de Flanagan, interpreta Margaret White, e Matthew Lillard também está no elenco. A série tem previsão de estreia para 7 de outubro, na Prime Video.
Confira o teaser abaixo:
Uma questão que sobrevive
Além de filmes como Jennifer (1978), que claramente se inspiraram na história de Carrie para construir suas narrativas, o livro de King e o filme de De Palma influenciaram outros produtores do gênero. De Stranger Things (2016–2025) a Hereditário (2018), muitos filmes, séries e outros livros usaram Carrie White como inspiração — é difícil hoje, por exemplo, vermos uma jovem em alguma mídia com poderes especiais e não pensarmos imediatamente na personagem de King.

Para além disso, há também a forma como Carrie White se tornou um tipo de representação para tantas garotas excluídas. O que, também, leva a uma discussão constante, que retoma os holofotes sempre que uma nova adaptação é feita: por que, afinal, a Carrie dos livros nunca é levada em consideração?
Nos livros, além de ser uma jovem pouco popular e sem amigos, tendo vivido com sua mãe extremamente conservadora e religiosa radical, Carrie é uma garota considerada feia, com sobrepeso, o que influencia diretamente a forma como é vista por seus colegas. Mesmo que beleza padrão seja um tema a ser discutido, todas as atrizes se afastam muito da descrição do livro — como apontou o texto “Would It Kill Them to Cast a Fat Actress as Carrie?”, da Houston Press, a Chloë Grace Moretz é, literalmente, uma modelo agenciada.

Neste mesmo texto, há um ponto levantado pelo autor que talvez responda a essa questão. Carrie, apesar de assassinar seus colegas de escola, é uma figura trágica, e as pessoas precisam gostar dela — se não pela personalidade, por outros motivos. Sendo esse o motivo, é ainda mais triste que nenhuma atriz gorda tenha sido escalada e capaz de provocar esse mesmo sentimento nas audiências.
Nesse sentido, talvez Porquinha (2022), de Carlota Pereda, seja uma adaptação-não-adaptação de Carrie mais próxima da realidade do livro — mesmo com a falta da telecinese. E a falta de atrizes gordas não deveria ser argumento: Faces da Morte (2026) nos trouxe uma protagonista fora do padrão de magreza atual que é um dos pontos altos do filme. Talvez na próxima adaptação, na década de 2030, consigamos fazer jus a esse traço da personagem.
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Apesar disso, estamos curiosos para conferir a nova adaptação de Carrie, a Estranha, e prontos para comemorar os 50 anos da obra de De Palma, que ajudou a trazer fama a Stephen King. E você, gosta de Carrie, a Estranha? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

