Aterrorizante, macabro e deliciosamente nojento. As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy serviu um prato cheio de referências de filmes de terror e momentos inesquecíveis para os espectadores do início dos anos 2000 e ficou cravado na memória de seus fãs como um dos desenhos mais queridos da Cartoon Network.
Criado por Maxwell Atoms para estrear na Cartoon Network em 2003, As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy conta a história de um garotinho inocente e meio bobo e uma garota sarcástica e cruel. Certo dia, ambos conseguem capturar um ceifador que passa a viver com eles e fazer suas vontades.
Inicialmente, Billy e Mandy eram segmentos curtos dentro de uma animação, Diabólico e Sinistro. Também criado por Atoms, Diabólico e Sinistro teve somente uma temporada de treze episódios em 2001, e era composto, além de Billy e Mandy, pelo desenho Mal Encarnado. Em 2003, quando Billy e Mandy ganhou sua própria animação, Mal Encarnado também acabou se tornando um programa independente, mas não resistiu além de uma temporada com quinze episódios e foi cancelado. Entretanto, os personagens de Mal Encarnado, Heitor Ado e Boskov, apareceram em alguns episódios de Billy e Mandy.
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Diabólico e Sinistro, na verdade, existiu como existiu graças a uma enquete feita com a audiência do canal. Na época, da metade dos anos 1990 e até início dos anos 2000, a Cartoon Network fazia uma espécie de laboratório para descobrir os próximos desenhos nos quais eles iriam apostar. Inicialmente conhecido como Cartoon Network’s Cartoon Cartoons, depois como What a Cartoon!, o primeiro programa que saiu dessa experiência foi Laboratório de Dexter, seguido por Johnny Bravo e depois A Vaca e O Frango. Quando foi ao ar na maratona chamada The Big Pick, ou A Grande Escolha, Diabólico e Sinistro ganhou dos outros concorrentes por 57% dos votos.
A animação principal apresentada por Atoms era Mal Encarnado. Billy e Mandy eram somente coadjuvantes em uma outra série que Atoms estava trabalhando, sobre um herói chamado Milkman. Então, de acordo com Atoms, a Cartoon ficou interessada na dupla estranha de amigos, e pediu que fizesse uma animação com eles. Enquanto ele trabalhava em várias ideias, pensou que a dupla precisava de um terceiro integrante. Ao site Syfy Wire, Atoms conta que pensou: “bom, vamos colocar o Ceifador nisso, por que não? A Vaca e o Frango tem o diabo, nós temos o Ceifador”.
O sucesso de Billy e Mandy foi tão grande que ficou cinco anos em exibição, com seis temporadas.
No primeiro episódio da série animada, as crianças conseguem enganar o Ceifador em um jogo no qual ele apostou a própria vida (ou morte, depende do ponto de vista). Então, ele ficou atado para sempre a elas, como consequência. O que de início era um grande problema para ele, acabou se tornando uma amizade — nada saudável para nenhum dos três envolvidos, mas uma grande amizade. Billy é sempre passado para trás por Mandy, que é uma garota cruel com todos e bastante inteligente, e Puro Osso é obrigado a participar das brincadeiras e tentativas de quase destruição que as crianças inventam.
A Cartoon Network trabalhou muito bem para dar aos pequenos fãs de terror aquilo que eles gostavam. Assim como Coragem, o Cão Covarde e Scooby-Doo antes deles, Billy e Mandy conseguiam ir para locais obscuros e assustadores diversas vezes, com momentos nojentos e piadas obscuras. Se logo no primeiro episódio Billy negocia a vida de seu hamster em um jogo com o próprio Ceifador, imaginem que o não viria depois.
Atoms soube aproveitar muito bem o terror as referências possíveis na cultura pop. Harry Potter foi uma das referências em alguns episódios. Na animação, um estudante bruxo pouco inteligente, mas que sempre rouba as ideias de Mandy e Billy, chamado Nigel Planter, que frequentava a Escola de Magia do Sapo-Cururu, aparece e nos faz lembrar bastante da franquia de Potter. Os óculos, a marca na testa, os elementos da escola de magia, todos fazem com que nos lembremos diretamente da série de livros e filmes.
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A animação também trouxe episódios com referências diretas a filmes clássicos do terror. Ainda quando se chamava Diabólico e Sinistro, em sua única temporada, o primeiro segmento do episódio de número treze se chamava “Little Rock of Horrors”, inspirado no filme e na peça musical da Broadway Pequena Loja dos Horrores. Em outro episódio, Mandy aparece vestida como Rob Serling, em preto e branco, com um fundo que lembra bastante Além da Imaginação.
Além dessas e tantas outras referências, outros personagens que conhecemos bem aparecem algumas vezes, como Conde Drácula, a Noiva de Frankenstein, o Lobisomem, a Deusa do Caos Eris, Jack Cabeça-de-Abóbora, Yog-Sothoth e o próprio Cthulhu.
Mais que as aparições e referências, a própria série é permeada por um humor macabro e elementos que dialogam diretamente com o terror — a presença do Ceifador é um dos pequenos detalhes. Monstros, a ideia de descer até o submundo para recuperar amigos, aranhas gigantes, fantasmas, alienígenas, criaturas assombradas e violentas que querem vingança ou que querem destruir alguma coisa por puro prazer são comuns nos episódios da animação.
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Ainda em entrevista ao site Syfy Wire, Atoms afirma que a Cartoon Network deu muita liberdade para que ele trabalhasse, e se considera sortudo de ter participado de tudo isso, e relembra como era uma ideia da qual ele andava sempre brincando por aí, em outros trabalhos que fazia, até ter tido a oportunidade de realmente trabalhar nela para valer.
O resultado não poderia ser melhor: foram 86 episódios em cinco anos que o programa foi ao ar, além das várias vezes em que foi reprisado e ainda hoje é admirado.
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