Backrooms: Um Não-Lugar estreia nos cinemas brasileiros

Afinal de contas, o que são os backrooms? Saiba mais sobre a creepypasta e sobre a produção de Backrooms: Um Não-Lugar.

Slender Man, Jeff the Killer, Ben Drowned, Ted the Carver, The Wyoming Incident, os episódios “perdidos” de Pokémon, Chaves, Bob Esponja, e até mesmo o SeteAlém, aqui no Brasil… Desde que a internet se popularizou, histórias e boatos assustadores foram repassados entre amigos, em fóruns, comunidades de sites e, claro, transformados em filmes. 

Channel Zero (2016–2018), Vivendo na Escuridão – A História do Ted, o Explorador de Cavernas (2013) e The Rake (2018), por exemplo, adaptam algumas dessas histórias em filmes. Jane Schoenbrun, com We’re All Going to the World’s Fair (2021) e Eu Vi o Brilho da TV (2024), trabalha esse sentimento de estranhamento ao se deparar com os boatos e desafios da internet e de programas estranhos, pouco conhecidos, ganham popularidade ao serem comentados e passados adiante.

Pôster de Backrooms: Um Não-Lugar

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Agora, a mais nova estreia do universo do terror nos apresenta uma creepypasta diferente: um lugar — ou um não-lugar — impossivelmente grande, repleto de quartos vazios, podendo ou não conter criaturas e entidades, mas sempre estando em algum local fora da realidade. 

Backrooms: Um Não-Lugar, dirigido por Kane Parsons, chega aos cinemas em 28 de maio e a Macabra te conta um pouco mais sobre a produção.

O que são backrooms

De acordo com a wikipedia, os “backrooms” surgiram em fóruns da internet, entre os anos de 2011 e 2018, onde um usuário anônimo postava uma imagem contendo um quarto amplo e vazio, com paredes amareladas e o chão acarpetado, e pedia para que os outros usuários também postassem imagens de lugares que pareciam “fora” da realidade. 

Uma das imagens postadas como backrooms

Essas postagens apareciam em fóruns sobrenaturais de sites como 4chan. Em 2019, um outro usuário anônimo respondeu à postagem, dando a primeira descrição dos backrooms e seu nome:

Se você não tomar cuidado e usar o comando noclip para sair da realidade nas áreas erradas, você vai parar nos Backrooms, onde só existe o cheiro de carpete velho e úmido, a loucura do amarelo monocromático, o ruído de fundo interminável de luzes fluorescentes no máximo e aproximadamente seiscentos milhões de quilômetros quadrados de salas vazias segmentadas aleatoriamente para ficar preso. Que Deus te proteja se você ouvir alguma coisa andando por perto, porque com certeza ela já te ouviu.

Esse comando “noclip” vem da cultura dos videogames, onde usuários usavam cheats para burlar o sistema, podendo realizar ações que, tecnicamente, não seriam possíveis normalmente, como atravessar paredes ou voar através dos cenários. No universo dos backrooms, seria uma forma como “apagar” um resquício de consciência e planar para fora da realidade, se tornando uma forma de acessar esse não-lugar.

Logo a creepypasta espalhou e evoluiu: os backrooms conquistaram fãs, assumiram novas características e ganharam até habitantes locais, entidades capazes de causar grande mal àqueles que encontrassem em seus domínios. 

Imagem de um dos backrooms postados em fóruns

A ideia de lugares “amaldiçoados”, dessa forma, ou perturbadores não é nova. O terror trabalha justamente com a possibilidade de que certos lugares estranhos permitam que o sobrenatural acesse nosso mundo: portais para o inferno, portas para outras realidades, colisão entre mundos físicos e não-físicos. Além de uma geografia maldita, Lovecraft, por exemplo, e posteriormente Shirley Jackson e Stephen King trabalharam com uma geometria maldita: cantos impossíveis em casas aterrorizantes, ângulos que não poderiam fazer sentido em casas de origem naturais e no mundo humano, capazes de criarem grandes perturbações naqueles que as habitam. O próprio Casa de Folhas, de Mark Z. Danielewski, brinca com essa ideia de forma aterrorizante.

A sensação de estar em uma sala vazia, de corredores intermináveis, o conjunto de cores e a visível ausência de sons, ainda que isso pareça um paradoxo, que transmitem a nós o que é humano, ajudam a construir esse clima e aproximam os backrooms do que conhecemos como uncanney valley. Em texto para o IGN, intitulado “How Severance Employs the Uncanny Valley”, Charlie Lopresto inicia seu argumento dizendo: “Há algo de estranho no escritório. Tem móveis, luzes e portas, mas nada que você colocaria na sua própria casa. Você come em uma salinha que te mandam usar, veste roupas de escritório sem graça e faz amizades cordiais no trabalho. É você, mas não é a sua vida. É só essa a sensação às vezes. Uma réplica barata da bolsa de grife que representa a experiência humana”.

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Talvez o que tenha transformado os backrooms em um fenômeno tão grande, pelo menos na internet anglófona, tenha sido a proximidade desse “não-lugar” com ambientes muito facilmente reconhecíveis e “corporativos”. Não estamos falando de um castelo assustador ou uma casa abandonada, e sim uma sala aparentemente comercial, com cadeiras, mesas e armários de aço que são facilmente encontradas em repartições públicas ou escritórios. 

O fato é que os backrooms atingiram certa popularidade, e chegou a vez deles ganharem um filme.

O responsável pelos pesadelos do não-lugar

Kane Parsons

Nascido em 2005, Kane Parsons ficou conhecido na internet como Kane Pixels. Sendo já de uma geração que cresceu em meio aos computadores e à internet, não é de se estranhar que Parsons tenha optado por trabalhar com o tema, ainda que de uma forma um pouco diferente do esperado. 

Assim como os irmãos Philippou, cineastas responsáveis por Faça Ela Voltar (2025) e Fale Comigo (2022), e como Chris Stuckmann, diretor de Terror em Shelby Oaks (2025), Kane Parsons iniciou sua carreira no YouTube, com uma série de vídeos produzidos por ele mesmo. Quando ainda tinha 14 anos, Parsons enviou um vídeo baseado na websérie Dad Feels para o também youtuber Nathan Barnatt, ator e produtor protagonista da série em questão, que reagiu positivamente ao conteúdo de Parsons. Posteriormente, ambos trabalharam juntos em um spinoff para Dad Feels, Project 209.

Kane Parsons e Chiwetel Ejiofor

Desde então, o jovem cineasta seguiu fazendo vídeos inspirados em coisas que lhe interessavam, como o jogo Little Nightmares e o anime Attack on Titan, trabalhando também com efeitos especiais, animações e até mesmo música nessas produções. 

Parsons já havia trabalhado com o conceito de backrooms em 2022, quando lançou o curta que originou o filme, intitulado The Backrooms (Found Footage). Tudo começou quando Parsons viu uma das imagens dos backrooms em seu computador, e ficou decepcionado com a qualidade dos “roteiros” que estavam sendo usados para a creepypasta na época. Então, passou, ele mesmo, a trabalhar em um curta, que rapidamente acumulou várias views no YouTube — hoje, em maio de 2026, o vídeo já acumula mais de 78 milhões de visualizações — e foi transformado por ele em uma websérie.

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Nesse meio-tempo, entre o vídeo dos backrooms e o processo de torná-lo um filme de longa-metragem, Parsons trabalhou em outras webséries, como The Oldest View (2023) e People Still Live Here (2025). 

Mas, afinal, do que se trata o filme Backrooms?

Parece um pouco difícil conceber como seria um filme sobre um lugar que é um não-lugar. Assim como muitos têm dificuldade em adaptar os livros e contos de Lovecraft, que adorava exagerar no uso do recursos narrativo de que “terrores indizíveis e indescritíveis” perturbavam seus personagens, a ideia dos backrooms parece um tanto inadaptável

Ainda assim, a tentativa foi feita; e, de acordo com a popularidade da websérie de Parsons, deu certo. Na sinopse oficial, apenas é dito o seguinte: “uma estranha porta aparece no porão de uma loja de móveis”. Pelo que podemos ver pelo trailer, há trechos do filme em found footage, também. Mas, no geral, a produção parece uma grande incógnita, e vamos ter que assistir para ter certeza do que está acontecendo.

Confira o trailer abaixo:

O filme é protagonizado por Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve e Mark Duplass, e conta com corroteiro de Will Soodik, ao lado de Kane Parsons.

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Backrooms: Um Não-Lugar estreia em 28 de maio nos cinemas brasileiros. Você está pronto para adentrar o misterioso? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.