Natureza macabra: confira cinco plantas aterrorizantes

Em Natureza Macabra: Plantas, Amy Stewart apresenta as plantas mais cruéis e assustadoras da natureza. Confira cinco delas e algumas de suas especialidades macabras.

Você já imaginou quantas coisas na natureza podem te matar? E não estamos falando aqui de grandes animais, estamos falando de plantas. Muitos devem se lembrar do clássico da Sessão da Tarde, Lagoa Azul, em que duas crianças acabam sendo criadas em uma ilha deserta e crescem longe da civilização, cuja uma das regras é não se arriscar comendo as frutinhas vermelhas, você deve ter crescido bem atento a qualquer frutinha estranha encontrada por aí.

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No livro Natureza Macabra: Plantas, Amy Stewart nos leva por um bosque cheio de arbustos dolorosos, frutinhas mortais e árvores perigosas. Cheio de curiosidades e histórias peculiares sobre essas plantas com aparência frágil, mas extremamente assustadoras, acabamos conhecendo um pouquinho do que a natureza é capaz através da narrativa hábil de Steward.

Para aguçar a curiosidade do leitor, a Macabra traz cinco plantas curiosas que estão presentes no livro de Stewart, bem como alguns de seus feitos macabros. 

Beladona – Estrela mortal

Nome científico: Atropa belladonna

Você já deve ter se deparado com esse nome por aí, em algum livro ou filme — principalmente se gosta de histórias que se passam no período vitoriano. Uma das plantas mortais mais conhecidas, a beladona é completa e totalmente venenosa: ao roçar sua pele na plantinha de aparência inocente, você pode ter pústulas terríveis. Ao longo da história, ela já assassinou muitas pessoas, mas também foi usada como remédio e produto de beleza. Antes da anestesia, médicos faziam uma mistura de beladona, cicuta, mandrágora, meimendro, ópio e outras ervas (das citadas, majoritariamente são venenosas) e a utilizavam como anestésico; mulheres utilizaram extrato de beladona em suas pupilas, para que ficassem dilatadas, pois acreditava-se que isso as deixava mais atraente. Seu nome científico é cheio de significado: “Atropa” vem das moiras da mitologia grega. Láquesis media o fio do destino no nascimento; Cloto tecia o fio, controlando o destino; e Atropa trazia a morte. Já “belladonna” significa “bela mulher” em italiano, e pode ser surgido de seus usos como cosmético. Dizem, também, que beladona era um dos ingredientes usados pela italiana Giulia Tofana em sua poção, a Aqua Tofana, que envenenou vários homens no século XVII

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Acônito – Assassino de padres e lobos

Nome científico: Aconitum napellus

Planta extremamente venenosa, o acônito pode até ser bonitinho, mas é perigosíssimo. Já assassinou muitos trilheiros ao longo dos anos, que ficaram curiosos por suas raízes brancas que lembram cenouras. Em 1856, um criado foi enviado para buscar rábano (da família dos rabanetes e nabo-japonês), mas acabou voltando com um punhado de acônito. No jantar daquela noite, ao ser servido, dois padres morreram. Conta-se também que acônito mortal saía da saliva de Cérbero quando Hércules o levou para fora dos domínios de Hades. Um de seus apelidos, mata-lobos, surgiu porque foi utilizado por caçadores para caçar esses animais, colocando o veneno dele em suas flechas.

Teixo – A árvore do cemitério

Nome científico: Taxus baccata

Altamente tóxica, o teixo ficou conhecido na Inglaterra por “árvore do cemitério” não por assassinar pessoas, mas porque os invasores romanos realizavam cultos próximos a eles, em cemitérios, para atrair a população pagã. Sua história mais macabra, porém, data de 1990, quando um teixo que ficava ao lado de uma igreja em Selborne foi derrubado em uma tempestade e ossos de mortos foram encontrados em suas raízes. Lorde Tennyson, no século XIX, alguns duzentos anos antes do acontecido, escrevera: “Tuas fibras enderam a cabeça sem sonhos / Tuas raízes se enroscam nos ossos”. Todas as partes do teixo são venenosas, menos a polpa de sua fruta avermelhada, o arilo (e mesmo ele tem sementes tóxicas). Comer algumas sementes ou algumas de suas folhas causa sintomas gastrointestinais e uma queda da frequência cardíaca. Um manual médico certa vez avisava que muitas de suas vítimas não descreveu seus sintomas — porque elas eram encontradas já mortas. Mas, nem tudo são terrores: o extrato do teixo possui fortes propriedades antitumorais, e o medicamento paclitaxel, ou Taxol, que o utiliza, é bastante usado contra câncer de ovário, mama e pulmão.

Mandrágora – Vilã shakespeariana

Nome científico: Mandragora officinarum

Da família das solanáceas, que também inclui a beladona (a pimenta, o tomate e a batata também pertencem a esse clã), a mandrágora é capaz de levar ao coma, a depender de como foi ingerida. Suas folhas, que ficam acima da terra, não são o problema, mas sim sua raiz, que já foi acreditada ser uma diminuta pessoa diabólica por suas raízes bifurcadas e cabeludas. Os romanos acreditavam que a mandrágora poderia curar uma pessoa possuída, enquanto os gregos a usavam para poções do amor, por seu formato um pouco fálico. Um de seus papéis mais importantes na cultura foi como a vilã de Romeu e Julieta, de Shakespeare, dada à mocinha pelo frei, para que ela durma, e diz a ela: “As rosas de teus lábios e de tuas faces murcharão / Pálidas feito cinzas. As janelas de seus olhos se fecharão / Como a morte quando cala a luz da vida”.

Coyotillo – Paralizante

Nome científico: Karwinskia humboldtiana

Imagine o seguinte: você está passeando tranquilamente em uma planície no Texas, no outono, e se depara com um arbusto de aparência bonitinha com umas frutinhas pretas. Você, pensando se tratar de algum parente do mirtilo, abocanha um punhado. Nada acontece naquele momento, mas alguns dias depois (semanas, até), você perde totalmente o controle de seus membros e sofre uma paralisia completa. Foi o coyotillo. Essa planta cresce principalmente nos cânions e leitos de rios no sul do Texas, Novo México e norte do México, capaz de tolerar os altos índices de calor. Um estudo apontou que cerca de cinquenta pessoas morreram após ingestão da frutinha. 

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.