Relic: Mente Frágil e Possessão

Uma entidade macabra, uma idosa fragilizada pela demência, mãe e filha dragadas em uma casa decadente. Este é o cenário de Relic.

Em Relic, tudo começa quando a idosa Edna (Robyn Nevin) desaparece inexplicavelmente. A filha, Kay (Emily Mortimer), junto de sua neta, Sam (Bella Heathcote), retornam para casa para auxiliar nas buscas. Assim que chegam, no entanto, percebem que existe algo de errado. Trancas improvisadas e lembretes espalhados por todos os lados pintam um cenário assustador.

Conforme a investigação das duas se aprofunda, Kay começa a ter pesadelos em que vê uma presença sinistra habitando um chalé externo. Chalé, este, que existia no terreno durante a sua infância, e do qual restou apenas o vitral da porta, movido para outro lugar da residência.

Assim como em Invasores de Corpos, onde você está com uma pessoa que conhece, mas não mais com quem você ama, Relic traz essa sensação familiar de volta para os dois lados da moeda — tanto para a avó/mãe, quanto para a filha/neta, a ponto de todos acreditarem que uma presença insidiosa perambula pela casa. Um cenário de terror ou consequências da demência?

Relic trabalha magistralmente a evolução do tema de Alzheimer, mais comumente visto em filmes de drama (embora grandes obras da ficção científica, como Dark City, já tenham trabalhado a questão da perda, manipulação da memória e questionamento do que existiu/existe e o que não).

O filme faz um ótimo trabalho em materializar a degradação da mente e da possessão através da casa. É como se toda a decoração e estrutura da macabra residência respondesse à possessão e à doença. A mesma casa envolve as recém chegadas, atraindo-as para uma espécie de areia movediça, puxando-as pra baixo, motivadas tanto pela ternura quanto pela culpa.

Relic recria visualmente essa decomposição não só da identidade da matriarca, mas também como ela afeta a relação das três gerações de mulheres.

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Embora o título e o pôster possam parecer com qualquer coisa já vista antes, não se deixe enganar: Relic é um filme ousado e forte. A diretora e roteirista estreante Natalie Erika James cria uma versão crua — e diria até cruel — do conceito de casa mal-assombrada e de relação familiar.

Vale seu precioso tempo.

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Entre nutrir as crianças da noite e suas melodias peculiares, se dedica a leituras lúgubres e a cinematografia obscura. Já usava máscaras antes de virar mainstream e vai continuar usando mesmo depois da peste. MACABRA™️ - FEAR IS NATURAL.