Remakes, sátiras e documentários: conheça as produções sobre Amityville

Além de um livro e um filme de sucesso, Amityville também carrega uma longa série de produções irregulares que pouco se conectam com a realidade.

A casa 112 da Ocean Avenue, em Long Island, nunca mais foi a mesma depois dos eventos revelados em 1977, no livro Amityville, de Jay Anson. Contando o que ocorreu entre 1975 e 1976 com a família Lutz, um caso que ficou extremamente conhecido entre os fãs de casas assombradas, Anson lançou luz sobre, talvez, a maior representante dessa categoria. O caso, na época, já era enorme, com nomes de peso como Ed e Lorraine Warren envolvidos, mas o livro ajudou a alçá-lo ao rol de eventos paranormais.

Amityville em Invocação do Mal 2

Além de render um dos livros de terror mais assombrosos da história, o que aconteceu naquela casa rendeu, também, uma série de filmes longa e bastante irregular. Se formos levar em consideração todos os filmes produzidos após o filme original, lançado em 1979, e que levam o nome “Amityville” em seus títulos, temos 69 filmes — e todos os anos são lançados mais. Apenas no ano de 2023, 11 filmes que utilizam o local ou o nome como cenário foram lançados.

A Macabra te conta um pouco mais sobre a franquia Amityville — a série original de filmes, mas também a série remake e os desdobramentos que vieram posteriormente.

O caso original

A casa de Amityville, na 112 Ocean Avenue

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Já bastante conhecido pelo público, não custa nada relembrarmos o que aconteceu. O casarão, construído em 1924, passou de mão em mão até chegar aos DeFeo, uma família católica do Brooklyn, formada por pai, mãe, três filhos e uma filha. Ronald Jr, um dos filhos do casal, tinha envolvimento com entorpecentes, e não se dava bem com o pai, com ameaças de morte sendo proferidas. Então, no dia 13 de novembro de 1974, às 3h15 da madrugada, aos 23 anos, Ronald Jr. assassinou todos os membros da família DeFeo.

Uma morte violenta já é um caso complexo, mas uma chacina, com esse nível de ódio, gera ainda mais especulações sobre o local. Pouco mais de um ano depois dos assassinatos, em dezembro de 1975, e apenas um mês depois de Ronald Jr. ter sido julgado e condenado pelos assassinatos, em novembro daquele mesmo ano, a família Lutz, composta por pai, mãe e três filhos, compraram a casa. Menos de dois meses depois, no final de janeiro de 1976, a família Lutz saiu correndo aterrorizada do local.

Ed e Lorraine Warren

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Foi no mês seguinte, em fevereiro, que Ed e Lorraine Warren se envolveram com o caso. Acompanhamos de uma equipe de TV e outros peritos em paranormalidade, realizaram sessões espíritas no local. Mas, claro, eles não foram os únicos. No ano seguinte, em janeiro de 1977, Hans Holzer e Ethel Johnson-Myers, também peritos paranormais, também visitaram a casa. 

Novamente, a casa foi revendida e passada adiante. Em março, os Cromarty compraram a propriedade, mas tiveram que ir embora. Dessa vez, não por causa de espíritos e terrores sobrenaturais, mas graças à fama do local, que atraía muitos turistas. O casal tentou alterar o endereço da casa, de 112 para 108, mas não adiantou de nada. Ele conseguiram revender a casa com um valor aumentado em cerca de seis vezes graças às suas melhorias. Em 2017, a casa foi vendida por $605,000. Não tivemos mais notícias de atividades paranormais no local, e, ao que tudo indica, os Lutz se mudaram e também não tiveram outros encontros com horrores indizíveis. Bom pra eles.

A franquia Amityville

Terror em Amityville, 1979

Jay Anson foi o primeiro a escrever a respeito, em 1977 — apesar de outros terem escrito também, principalmente Hans Holzer, que esteve envolvido com o caso e escreveu três livros sobre ele. De seu livro, originou-se o primeiro filme do que viria a se tornar a franquia mais irregular da história do terror.

Adaptando o livro de Anson, mantendo os nomes dos DeFeo e dos Lutz, mas omitindo a presença dos Warren — tendo em vista que o filme se encerra quando os Lutz saem da casa, e os Warren só entram no caso após a fuga —, Terror em Amityville, lançado em 1979, se tornou um clássico do terror. Protagonizado por James Brolin e Margot Kidder, e dirigido por Stuart Rosenberg, o filme consegue passar a tensão da família conforme conta a história baseada no caso real.

Amityville 2: A Possessão, 1982

Embora seja um filme bastante conhecido, poucos sabem que ele teve sete continuações: Amityville 2: A Possessão (1982), Amityville 3: O Demônio (1983), Amityville 4: A Fuga do Mal (1989), Amityville 5: A Maldição de Amityville (1990), Amityville 6: Uma Questão de Hora (1992), Amityville 7: A Nova Geração (1993) e Amityville 8: A Casa Maldita (1996).

Alguns sites inserem Amityville: O Despertar (2017) como fazendo parte da franquia original, mas é difícil inseri-lo ali, considerando que, no contexto do filme, o livro de Anson e o filme de Rosenberg existem e são trabalhos de ficção. Se pensarmos que todos os outros filmes dessa primeira leva de Amityville têm sua própria lógica — onde uma entidade/espírito assombra as famílias que vivem no local —, não parece ter tanto sentido inserir O Despertar como uma sequência.

Amityville 7: A Nova Geração, 1993

Essa primeira leva de filmes de Amityville, por si só, já é extremamente imprevisível: começamos o primeiro filme com os Lutz, e no segundo filme conhecemos uma nova família que se muda para o local, com uma história semelhante aos do DeFeo; em seguida, um jornalista compra a casa para provar que ela não tem nada de aterrorizante (mas descobre que ela tem, sim). A coisa começa a desandar de verdade no quarto filme, onde o mal é enviado através de uma lâmpada até a Califórnia; mas, no quinto filme, retornamos à cidadezinha em Long Island, com mais pessoas sendo aterrorizadas pelo lugar. Se a lâmpada mágica do quarto filme parece estranha, no sexto, o mal está presente em um relógio. No sétimo, o objeto amaldiçoado é um espelho. No oitavo, uma casa de bonecas.

E se você acha que isso tudo é muito esquisito, os filmes posteriores são ainda piores.

As sequências que não são sequências

O ano de 2011 marca um ponto de virada para tudo que conhecemos a respeito de Amityville: neste ano é lançado The Amityville Haunting, de Geoff Meed, que abriria as porta para uma série de insanidades produzidas com a palavra Amityville e que levariam qualquer ser humano decente à loucura. 

Amityville in Space, 2022

Se uma lâmpada, um relógio, um espelho e uma casa de bonecas parecem demais aos olhos comuns, então o que viria a seguir seria ainda mais absurdo: filmes como Amityville Vampire (2021), Amityville Scarecrow e Amityville Scarecrow II (ambos de 2022!!!), Amityville in Space (2022), Amityville Job Interview (descrito como uma comédia de terror musical, de 2023), Amityville Elevator (2023), Amityville Shark House (2023), Amityville Bigfoot (2024), Once Upon a Time in Amityville (2024) e Amityville Chupacabra (2025) são apenas alguns dos títulos que foram lançados nesses últimos seis anos. Além desses, sátiras pornográficas e sátiras com assuntos em alta (como Amityville AI) também encontraram seu espaço.

E se você está ansioso para assistir a Backrooms: Um Não-Lugar, que estreia dia 28 nos cinemas, saiba que Amityville já utilizou o conceito das creepypastas de backrooms em 2024, em Amityville Backrooms. Realmente, uma franquia à frente de seu tempo.

Remakes

Horror em Amityville, 2005

Em um momento em que a indústria dos filmes de terror estava às voltas com remakes, Amityville não ficou de fora dessa. Horror em Amityville, de 2005, é o remake dirigido por Andrew Douglas que reconta os acontecimentos do livro de Anson e do filme de Rosenberg: com a família Lutz no centro do caso, o filme é protagonizado por Ryan Reynolds. 

Dentre os remakes de filmes antigos lançados nessa mesma época — 13 Fantasmas, Casa de Cera, A Profecia, entre outros —, talvez Horror em Amityville tenha sido o que recebeu menos atenção. Não que o filme tenha sido considerado ruim — ainda mais tendo em comparação, hoje, com o que veio depois. Mas, pensando em como esses filmes possuíam um visual que dialogava com os lançamentos originais do período, talvez ele tenha passado sem chamar tanta atenção.

Amityville: O Despertar, 2017

Também podemos pensar em Amityville: O Despertar (2017), de Franck Khalfoun, como um remake. Na história, uma mãe solo se muda com seus três filhos — um deles em estado de coma — para a casa assombrada de Amityville. O filme é protagonizado por Jennifer Jason Leigh, Bella Thorne e Mckenna Grace. 

Outro remake de Amityville está sendo produzido por David F. Sandberg, mas não temos datas de estreia ou menos de como está o desenvolvimento da obra.

Documentários

Sendo uma história real tão impactante, é natural que também houvesse documentários produzidos sobre o caso. My Amityville Horror (2012), de Eric Walter, coloca Daniel Lutz, um dos membros originais da família, que era apenas uma criança na época dos eventos, no centro da narrativa. 

Christopher Lutz no documentário Amityville: An Origin Story, 2023

Com uma abordagem um pouco mais ampla, o documentário Amityville: An Origin Story, minissérie com 4 episódios de 2023, é uma boa opção para aqueles que querem entender como funciona o fenômeno que sucedeu aos eventos dos anos 1970, e como isso fez com que filmes de terror como Amityville tivessem um impacto tão forte na cultura. 

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Jay Anson escreveu uma obra rica e interessante, que ecoa ainda hoje em quem a lê, mas as produções que se seguiram a ela foram bastante difíceis de engolir. Ainda assim, vale a pena se debruçar sobre a história real: o filme de 1979 segue sendo um clássico; o livro, uma história assustadora; e os documentários se aprofundam nos sentimentos daqueles que estiveram envolvidos com o caso.

E você, já assistiu a quantos filmes de Amityville? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.