Um vampiro de centenas de anos de idade surge no mundo contemporâneo depois de anos de hibernação. Há um motivo para esse retorno: andaram contando histórias sobre ele, e ele não ficou nenhum pouco feliz com o que ouviu. Ele não apenas quer colocar tudo em pratos limpos e escrever ele mesmo sua história, como também pode causar diversos estragos no universo vampiresco, contando segredos aterradores para os humanos e, finalmente, expondo essa raça sombria.

Desde a estreia da segunda temporada de Entrevista com o Vampiro e a sucessão de teasers e trailers que apresentam Lestat agora como um astro do rock, a popularidade dessa nova investida de adaptação dos trabalhos de Anne Rice com as Crônicas Vampirescas cresceu. Não que essa popularidade já não fosse expressiva — afinal, Anne Rice é uma escritora bem-sucedida e consolidada há anos, e seu séquito de fãs é imenso. Mas foi com a chegada dessa segunda temporada e o anúncio da terceira — The Vampire Lestat — que essa história saiu da bolha dos fãs dos livros e passou a fascinar, também, uma nova geração de aficionados por vampiros.

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Mas antes de Sam Reid assumir as telas da TV como um Lestat rockstar botando pra quebrar ao som de Billy Idol, outro ator também teve essa incubência. Não tão famoso quanto seu antecessor Entrevista com o Vampiro, que foi protagonizado por Brad Pitt e Tom Cruise, o filme Rainha dos Condenados, lançado em 2002, encontrou seu lugar ao sol — ou à lua — hoje, cerca de duas décadas depois de lançado.
A Macabra relembra o filme Rainha dos Condenados e te conta segredos da produção.
O sucesso de Entrevista com o Vampiro

Apesar do filme Entrevista com o Vampiro ter sido lançado apenas em 1994, os acordos com a Warner Bros. para a compra dos direitos dos livros de Anne Rice começaram muitos anos antes, e foram firmados em 1988.
Dirigido por Neil Jordan, o filme gerou uma primeira reação bastante controversa com a escalação de Tom Cruise (na época conhecido principalmente por Top Gun) como Lestat. Mesmo Anne Rice não gostou da escolha e falou abertamente sobre isso, chamando de “casting desastroso”, mas depois de assistir ao filme finalizado, afirmou que era uma “performance magnífica”. E realmente, por muitos anos as pessoas ficaram com a imagem de Tom Cruise como Lestat.

O acordo da Warner Bros. cobria os três primeiros livros das Crônicas — Entrevista com o Vampiro, O Vampiro Lestat e Rainha dos Condenados — e a trilogia das Bruxas Mayfair. Com o sucesso da adaptação de Entrevista, Neil Jordan começou a trabalhar na adaptação do livro seguinte.

O trabalho de Jordan não avançou, mas, considerando que estavam prestes a perder os direitos, que retornariam para Anne Rice em 2000, a Warner correu para apressar uma nova produção em meados de 1998. A intenção era utilizar principalmente o livro Rainha dos Condenados, mas com foco em Lestat — no livro original, o foco da história está em Akasha e nas irmãs Maharet e Mekare —, também usando algumas partes de O Vampiro Lestat para contar o despertar do vampiro centenário e sua banda.
O filme se tornou um amálgama desses dois livros, com roteiro escrito por Scott Abbott e Michael Petroni, vindo a ser dirigido por Michael Rymer. Apesar dos esforços e da quantidade considerável de tempo que o filme passou entre as etapas de roteiro e de finalização, a produção recebeu, em sua maioria, críticas negativas. No começo, Anne Rice não achou o filme tão ruim, e aceitou que seu nome fosse usado na divulgação. Porém, um ano depois do lançamento, em 2003, ela se tornou desiludida com o projeto, e pediu que os fãs apenas esquecessem que a produção existiu.

Os fãs, porém, não esqueceram. Hoje o filme se tornou um ícone entre os fãs de Anne Rice, de vampiros, de filmes dos anos 2000 e, principalmente, entre os fãs de música — mais especificamente os fãs de nu metal. Mas chegaremos nesse assunto em breve. Antes, precisamos falar da nossa estrela Akasha.
Aaliyah, a rainha Akasha

A primeira atriz escolhida para fazer parte do elenco do filme foi Aaliyah, que interpreta Akasha, a própria Rainha dos Condenados. No livro, seu papel é de enorme destaque: ela é a primeira vampira, a progenitora de todos os outros vampiros, aquela de quem todos herdaram a maldição. Governante de Kemet em 5000 a.C, ao lado de seu marido Enkil, recebe os poderes ao ter sua essência misturada à de um espírito maligno. Seu poder é absoluto, e qualquer dano causado a ela pode afetar aqueles que se tornaram vampiros graças a ela.
No século XIX, Marius é quem cuida “daqueles que devem ser protegidos”. Lestat, ao descobrir o casal, bebe do sangue de Akasha. Quando Lestat acorda de sua hibernação, ele desperta Akasha, que mata Enkil, toma para si seus poderes e faz de Lestat seu novo consorte. O despertar de Akasha causa caos e terror quando ela elimina a maioria dos vampiros da terra e faz com que várias pessoas cometam atos de barbárie contra as outras.

O filme sofre algumas mudanças dessa longa história, que, no material original, é contada entre o segundo e terceiro livros das Crônicas. Akasha ainda guarda um papel importante, mas, realmente, a ideia era a de que Lestat ganhasse esse destaque, para atrair os fãs do vampiro que surgiram em Entrevista — mesmo que o papel não fosse interpretado por Tom Cruise.
Aaliyah estava no auge de sua carreira quando foi escalada para viver Akasha. Começando muito jovem na indústria musical, seu primeiro álbum, lançado quando tinha apenas 14 anos, já foi um sucesso razoável, recebendo, em sua maioria, críticas positivas. Os álbuns seguintes seguiram a mesma linha, levando a jovem cantora a ser considerada “princesa do R&B”. Sua estreia no cinema se deu em Romeu Tem Que Morrer, de 2000, contracenando com Jet Li.

Aaliyah infelizmente faleceu depois de uma trágica queda de avião em agosto de 2001, antes mesmo de o filme ter sido lançado. Quem trabalhou com a jovem cantora e atriz afirmou que ela era uma pessoa empolgada com seus projetos — um filme produzido por Whitney Houston, do qual Aaliyah estava particularmente feliz em fazer parte, foi engavetado após sua morte.
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Uma trilha sonora de peso

Não apenas por Aaliyah ter sido escolhida para viver Akasha, mas Rainha dos Condenados possui uma grande força na ligação que tem com a música. Lestat escolhe uma banda de rock para se rebelar e contar ao mundo que os vampiros existem, e a cada vez que essa obra é retratada, ela utiliza um estilo musical que está em alta: no livro, Lestat entra para uma banda com fortes traços de glam rock; agora, na série, em 2026, ele retorna com um visual glam, mas com um lado mais pop. Nos anos 2000, quando Rainha dos Condenados foi produzido, era o nu metal que estava no auge.
Um dos motivos para o filme se manter relevante hoje e de ter vários fãs o revisitando é sua trilha sonora, que foi produzida e conduzida por Jonathan Davis, do Korn, ao lado de Richard Gibbs, um dos integrantes da banda Oingo Boingo — que também tinha entre seus colegas ninguém mais, ninguém menos, que Danny Elfman. Gibbs é tecladista, tendo participado de álbuns de estúdios de grandes nomes, como Aretha Franklin, e já tocou ao vivo com o próprio Korn.

Davis foi escolhido para cantar as músicas do filme, inicialmente, mas seu contrato com a Sony não permitia que sua voz fosse usada dessa forma, fazendo com que ele chamasse outros vocalistas de bandas amigas para participarem do projeto, incluindo: Wayne Static do Static-X, David Draiman do Disturbed, Chester Bennington do Linkin Park, Marilyn Manson e Jay Gordon do Orgy. A maioria dessas bandas retornaram aos fones dos fãs de metal nos últimos anos, devido a um novo sucesso do nu metal, principalmente graças a vídeos do TikTok. Inclusive, depois de quase uma década, o Korn retorna ao Brasil para um show único no dia 16 de maio, em São Paulo.

Não temos muitas informações se The Vampire Lestat vai adaptar apenas o segundo livro das Crônicas ou se também fará uma incursão a Rainha dos Condenados, o terceiro livro de Anne Rice deste universo, como foi o caso com o filme Rainha dos Condenados. Mas aqui na Fazenda estamos muito curiosos para conferir a nova temporada, que estreia em 7 de junho nos Estados Unidos — ainda sem data prevista para o Brasil.
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