Em 1996, Wes Craven e Kevin Williamson fizeram história no terror ao criar um dos filmes mais emblemáticos e icônicos pro gênero. Quando todos acreditavam que o slasher adolescente estava morto e enterrado, a dupla de cineastas apresentou uma obra que alterou para sempre as dinâmicas dessa categoria. Depois de Pânico, nada nunca mais foi igual, tudo mudou.

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Os anos passaram, e Pânico continuou seu legado de terror e surpresas, personagens carismáticos e relações muito verossímeis com a realidade, entendendo o que o público do momento queria, sabendo jogar de acordo com as tendências em alta no momento — depois de ter criado a própria tendência, ainda nos anos 1990 —, abrindo espaço por entre um mar de outras produções. Nesses 30 anos de franquia, acompanhamos uma protagonista ativa em sua própria história, lutando contra seu perseguidor; e vemos, também, diferente de todas as outras franquias do subgênero, um assassino mutável: ele nunca é o mesmo, a máscara é passada adiante.
Celebrando essa história de sucesso, Padraic Maroney entrevistou mais de trinta pessoas e reuniu um número imenso de curiosidades e histórias dos bastidores da franquia Pânico, escreveu o livro Pânico: O Legado do Grito e presenteou os fãs com essa obra que deixa qualquer fã encantado.

Para além de escritor, Padraic é um grande fã da franquia. A Macabra conversou com ele sobre como foi, para ele, trabalhar em um projeto tão pessoal, o que se transformou para ele ao longo da escrita, e o que vem aí no próximo filme.
- Como foi a sua primeira experiência assistindo a Pânico, e por que você acha que ele ficou com você por tantos anos?
Eu vi Pânico na noite de estreia. Meu irmão mais velho levou alguns amigos e eu, porque a gente ainda não tinha idade suficiente para entrar sozinho. Foi a primeira vez em que eu realmente percebi o impacto de um roteirista, de entender que os filmes não são apenas aquilo que você vê na tela.

- Em que momento a franquia deixou de ser apenas uma paixão para se tornar objeto de pesquisa em um livro?
O momento em que Pânico: O Legado do Grito realmente se tornou algo concreto foi durante a pandemia da COVID-19. Foi meu projeto de quarentena. A ideia inicial do livro surgiu em 2019, quando percebi que o aniversário de 25 anos estava se aproximando. Isso foi antes mesmo do anúncio do quinto filme, e eu notei que nunca tinha sido escrito um livro sobre a franquia. Tantas outras franquias gigantes têm vários livros e documentários… Pânico merecia um. Mas só quando a pandemia começou é que eu levei isso realmente a sério, sentei e comecei a mapear como o livro poderia ser. E, como todo mundo estava trancado em casa, imaginei que talvez alguns cineastas e membros do elenco topassem conversar.
- Pânico é uma franquia muito grande, e seu livro envolveu várias histórias e curiosidades. Qual foi o desafio em organizar e contextualizar tanto material de uma franquia de tamanha importância para tantos fãs?
Eu entrevistei cerca de trinta pessoas ligadas à franquia Pânico, então realmente havia muito material para organizar. Felizmente, eu sou super organizado, bem “control freak” mesmo. A primeira coisa que me guiou, tanto nas entrevistas quanto na organização, foi enxergar o livro como uma celebração da franquia, mas sendo honesto em relação a tudo o que foi necessário para esses filmes existirem.

Eu não queria fazer um livro sensacionalista, nem um que ficasse lavando roupa suja, muito menos abrir espaço para rixas pessoais. Ao mesmo tempo, eu queria garantir que o livro tivesse histórias que as pessoas talvez não conhecessem, ou que aprofundassem informações que já circulam. Um exemplo é a parte sobre o distrito escolar de Santa Rosa. Muita gente conhece o básico, mas talvez não saiba que isso virou um debate sobre liberdade de expressão que ganhou repercussão nacional, ou que o próprio escritório de cinema da Califórnia se envolveu, com medo de que produções parassem de filmar no estado por conta da censura. Eu também quis ser justo com os dois lados, contextualizando o clima da época e explicando por que o conselho escolar pode ter agido por medo.

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- Como alguém que trabalhou tão a fundo na obra, e conhecendo tanto sobre a franquia e seus fãs, gostaríamos de saber qual você acha que foi o turning point para que Pânico se tornasse o fenômeno que é hoje.
Acho que existem dois grandes momentos-chave. O primeiro foi, ainda no desenvolvimento do filme original, a decisão de fazer a Drew Barrymore trocar o papel da Sidney pelo da Casey. Aquilo mostrou ao público que esse seria um filme diferente de tudo. Mas, para mim, o verdadeiro momento de consolidação foi quando Pânico 2 saiu e manteve o mesmo nível de qualidade do primeiro. Não foi um golpe de sorte, não teve “queda no segundo filme”. Ali a franquia se firmou de vez. De algo que cresceu no boca a boca, virou um fenômeno real, porque, como o livro mostra, quando o primeiro foi lançado, ninguém esperava que ele fosse fazer sucesso, muito menos virar um grande estouro de bilheteria.

- Você é, claramente, um grande fã da franquia. Depois de se aprofundar tanto nos bastidores, de destrinchar os segredos, as fofocas e os desafios deste fenômeno, você acha que a sua relação com a franquia mudou?
Às vezes eu me pego assistindo e tomando notas. Embora eu ainda assista todos os filmes por diversão, percebo que muitas vezes vejo com um olhar mais crítico do que o espectador comum que só quer relaxar e curtir. Trabalhar no livro também me fez apreciá-los ainda mais, sabendo tudo o que os realizadores enfrentaram para conseguir lançar cada filme sem entregar algo medíocre ou decepcionante para os fãs.
- Pânico nasceu em um contexto muito próprio, onde a experiência adolescente, o consumo da cultura, os gostos eram muito diferentes. Era um mundo mais analógico, sem redes sociais digitais, sem streaming e com uma outra relação com o tempo e a expectativa. Na sua visão, se a franquia surgisse hoje, na era do streaming e com tantas diferenças no contexto cultural, ela conseguiria provocar o mesmo impacto?
É difícil dizer como seria se Pânico fosse lançado hoje, porque muita coisa mudou. Acho que hoje o entretenimento tem uma vida útil mais curta. Em vez de ficar seis meses em cartaz, provavelmente teria um boca a boca mais rápido graças às redes sociais, faria dinheiro mais rápido e sairia dos cinemas em dois ou três meses. Com certeza teria impacto, mas tudo é acelerado agora.

Além disso, as pessoas consomem filmes de forma diferente, esperando pelo streaming ou por outros meios. O mais legal na época do lançamento de Pânico era que realmente existia uma experiência coletiva: ir ao cinema com os amigos, ir à locadora, conversar com outras pessoas sobre o filme. Eu sinto um pouco de falta desse aspecto da experiência de ir ao cinema.

- Você deve estar dando duro para se esquivar dos spoilers do novo filme, não é? Sabemos que não apenas Neve Campbell está retornando como protagonista de Pânico, mas Kevin Williamson agora assume a cadeira da direção da franquia que ele ajudou a criar. Como estão as suas expectativas com o novo filme?
Eu estou fazendo tudo o que posso para saber o mínimo possível! Algumas coisas eu acabo sabendo, por causa do livro e de outros projetos, mas eu brinquei com uma pessoa que estou evitando tanto que quero quase ser surpreendido ao descobrir que a própria Neve Campbell voltou.

Eu procuro não alimentar expectativas demais, porque sinto que esse é o caminho mais rápido para a frustração. Dito isso, o que mais me anima é ver onde os personagens que sobreviveram estão hoje, algumas sequências boas de suspense e, claro, uma experiência divertida. É isso que eu quero: um bom susto, tensão e um passeio empolgante pelo universo de Pânico.
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Pânico: O Legado do Grito está disponível na Loja Oficial da DarkSide Books e em outras livrarias. Gostaríamos de agradecer a Padraic por sua disponibilidade ao responder nossas perguntas. E você, está curioso para conferir o novo capítulo da franquia Pânico?

