Ghosts, de Michael Jackson, é uma grande reunião do terror

Lançado em dezembro de 1996, o média-metragem reuniu o rei do pop com Mick Garris, Stan Winston e Stephen King.

Quando pensamos na ligação do terror com o astro da música pop Michael Jackson, a primeira coisa que nos vem à mente é Thriller, uma obra inesquecível que reuniu Rick Baker, um dos maiores maquiadores da história do terror, e Vincent Price, que fez um trecho de narração na música, além de várias participações especiais. 

Mas talvez seja em Ghosts que a veia terrorística de Michael mais se sobressaia. Com 39 minutos, o média-metragem é uma aula de efeitos práticos, especiais e uma narrativa pra lá de insólita. Completando 30 anos, a Macabra relembra essa obra e alguns detalhes da produção. 

Eu assustei vocês?

No melhor estilo do terror que tanto amamos — ecoando os filmes da Hammer e até um pouco de Elvira: A Rainha das Trevas (1988) —, a história começa com uma turba revoltada se encaminhando para uma velha casa, cercada por névoa. Enquanto caminham para chegar até o local, podemos notar uma placa com o nome da cidade: “Welcome to Normal Valley”, que seria a casa de pessoas normais legais (“nice regular people”, como diz a placa).

A multidão se encaminha para essa casa pois é lá que mora o Maestro (Michael Jackson), que está entretendo (e assustando) as crianças da cidade com truques de mágica e histórias de fantasmas. O prefeito (também interpretado por Michael) resolve então fazer algo para parar com a situação. Quando os dois se confrontam, então o show começa de verdade. 

Conheçam a família

Stan Winston é um dos maiores nomes dos efeitos especiais práticos da história do cinema — não apenas do terror, mas do cinema em geral. Ele trabalhou em franquias como Jurassic Park, Exterminador do Futuro, Aliens, Predador e também em filmes como O Enigma de Outro Mundo (1982) e Edward Mãos de Tesoura (1990). Ao longo de sua carreira, ganhou quatro Oscars, e seu legado permanece vivo através da Stan Winston School, escola de artes que tem cursos de animatrônicos, design, fabricação e confecção de personagens, fundada em 2008 pela família do artista, que havia falecido naquele ano.

De início, porém, Winston não seria o diretor do média-metragem. Comparado com seus mais de 60 créditos envolvendo os departamentos artísticos de produção no audiovisual, seus créditos como diretor são pequenos: dirigiu dois longas, Pumpkinhead: A Vingança do Diabo (1988), que se tornou um clássico cult entre os fãs de terror, e Meu Amigo, o Gnomo (1990), um filme mais voltado ao público infanto-juvenil que não fez muito sucesso; além disso, dirigiu o videoclipe de “You Could Be Mine”, do Guns N’ Roses, além do videoclipe propriamente dito de “Ghosts”, do Michael Jackson, e, além do curta Ghosts, dirigiu o curta T2 3-D: Battle Across Time (1996), no universo de Exterminador do Futuro.

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Ghosts, como foi pensado originalmente, envolve dois nomes bastante conhecidos do terror (e do próprio Michael Jackson): Stephen King e Mick Garris. Foi King quem apresentou Garris a Michael, ainda nos anos 1980, quando trabalharam juntos em Thriller. Anos depois, a parceria iria se repetir: inicialmente Ghosts seria lançado sob o título “Is This Scary?” junto ao filme A Família Addams 2, em 1993, e Christina Ricci e Jimmy Workman reprisando seus papéis como Wandinha e Pugsley. A produção, porém, foi interrompida quando o astro precisou ser afastado de suas funções por estar recebendo tratamento contra dependência química. 

Quando retornou com a intenção de trabalhar no videoclipe — que se tornou o média-metragem —, Garris estava ocupado com a gravação da minissérie de O Iluminado, que produzia junto de Stephen King. Quem assumiu a direção foi Stan Winston, transformando e adaptando o roteiro que havia sido escrito por King e Garris, agora sem a ligação com a Família Addams.

Apesar do filme de 1993 nunca ter sido concluído, algumas filmagens sobreviveram. As alterações são perceptíveis, e desde o começo podemos ver que as gravações foram iniciadas do zero quando retomadas. O prefeito, interpretado por Michael na versão de 1996, era interpretado por Ken Jenkins na versão anterior, e as cenas que abrem o filme, que na versão de 1996 são preto e brancas, na versão de 1993 é colorida. Um fã-clube espanhol de Michael Jackson upou no YouTube uma versão, reunindo as cenas que sobreviveram. Confira abaixo:

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A repercussão

Ghosts não teve o sucesso que todos esperavam. Apesar da união no mínimo sinistra dos nomes envolvidos na produção — Michael Jackson E Stephen King? —, o filme quase caiu no esquecimento se compararmos com seu irmão mais famoso, Thriller. Entretanto, sempre que é relembrado, as pessoas ficam um pouco surpresas: elas conhecem Ghosts, mas constantemente se esquecem dele. 

Apesar de hoje essa união de nomes ser vista com surpresa e todos ficarem muito fascinados quando veem, reveem ou quando descobrem de sua existência, na época do lançamento o média-metragem não foi completamente bem-visto e bem-recebido. Principalmente porque, ali no começo dos anos 1990, Jackson se divorciava de Lisa Marie Presley e as alegações de assédio infantil começaram a ser feitas contra ele. Hoje as alegações são muito contestadas, mas, na época em que começaram, foi como uma avalanche. 

Levando em conta que há uma certa perseguição contra a figura de Jackson no filme, e ele questiona os moradores ensandecidos, que estão atrás dele por entreter as crianças da região, se ele os assustou, é de se esperar que alguns tenham lido a história como um tipo de resposta de Jackson — ainda que sua produção tenha começado algum tempo antes.

Ainda que tenham existido essas polêmicas, é curioso perceber como se deu essa aproximação do Rei do Pop com o terror — e a ficção científica e o surrealismo, como mostram outras obras dele, por exemplo seu filme de 1988, Moonwalker. Apesar de muito religioso, Michael teve essas obras em sua carreira e fez amizade com as pessoas envolvidas — Garris, por exemplo, o elogiou muito a respeito da época em que trabalharam juntos —, e nos entregou duas obras interessantíssimas em Thriller e Ghosts, com nomes de peso na produção, demonstrando, também, respeito por um gênero que, no final das contas, ele não era tão afeiçoado.

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E você, chegou a assistir Ghosts na íntegra? O média-metragem pode ser encontrado em algumas plataformas de vídeo, ainda que não de forma oficial. Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.