O legado de Debra Hill: uma das pioneiras na produção de filmes de terror

Debra Hill teve grande responsabilidade na construção do universo significativo e imagético do clássico Halloween, e merece ser lembrada pela sua trajetória

A franquia de filmes Halloween é conhecida por muitos fatores, sendo a crueldade de seu vilão, Michael Myers, apenas um deles. Alguns acreditam que o primeiro filme, lançado em 1978, foi o grande precursor e motivador da tendência slasher que se seguiria na década seguinte, que Laurie Strode seria o modelo de final girl utilizado exaustivamente pelo cinema de terror, alguns o conhecem por ser um ícone entre os filmes de gênero. E esse último item é inegável: ainda hoje, Halloween sempre é reconhecido por sua importância para a indústria.

Alguém que deveríamos nos lembrar tanto quanto Halloween, entretanto, é sua produtora e co-escritora, Debra Hill.

Debra Hill e algumas criaturas

Debra Hill nasceu em 10 de novembro de 1950. Em 1975, Hill começou como produtora assistente de alguns documentários. Ainda em 1975, trabalhou como editora assistente em uma parceria com John Carpenter, Assalto ao 13º DP.

Três anos depois, Hill produziu e co-escreveu Halloween, e esteve envolvida também com os dois filmes seguintes da franquia: Halloween II e Halloween III: A Noite das Bruxas. Ainda de sua parceria com Carpenter temos os filmes A Bruma Assassina, Fuga de Nova York e Fuga de Los Angeles. Produziu também, dentro do gênero do terror, Na Hora da Zona Morta e Clue.

Em 1986, montou uma produtora com sua amiga Lynda Obst, e produziram filmes como Adventures in Babysitting, Heartbreak Hotel e The Fisher King. Nos anos seguintes, produziu alguns especiais para a Disney, como Gross Anatomy.

Em fevereiro de 2004, Hill foi diagnosticada com câncer. Mesmo após a notícia, continuou trabalhando com filmes até a data de sua morte, em 7 de março de 2005.

Debra Hill com parceiros de Halloween

O trabalho no terror para mulheres sempre foi complicado. Não de hoje, as mulheres foram apagadas de seus projetos e de suas conquistas. Não é, exatamente, o caso de Hill, que sempre foi muito querida e respeitada por sua carreira, mas o apagamento não intencional acaba acontecendo mesmo quando não há um homem tentando puxar o seu tapete.

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Hill ajudou a transformar Halloween em um dos maiores clássicos de todos os tempos e se sentia triste pela indústria do terror não dar mais espaço para diretoras. No período anterior a sua morte, estava trabalhando em um thriller que seria sua estreia na direção.

Jamie Lee Curtis, que interpreta Laurie Strode e foi amiga de Hill, disse em entrevista para o New York Times que “ser uma mulher no show business é uma situação assustadora. É um clube de garotos, e ela se estabeleceu sozinha, muito cedo, como uma produtora muito minuciosa e capaz”.

Debra Hill e Jamie Lee Curtis

Laurie Strode, inclusive, foi criação própria de Debra Hill. Enquanto Carpenter se ocupou com Myers e Dr. Loomis, Hill se debruçou na criação da babá em Halloween, e nos presenteou com um dos grandes papéis femininos no cinema de horror.

E é interessante perceber, no papel de Laurie Strode, a importância de uma mulher ter trabalhado com tanto afinco na personalidade da personagem. Apesar de hoje existirem uma série de críticas sobre o tropo das final girls, de como elas são vistas e pensadas através de uma moral conservadora, foi significativo, na época, que esse estereótipo fosse construído. E, como processo, ao longo de décadas depois, uma série de novas personagens já conseguem se distanciar dessa “moral”.

Laurie Strode
Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) como final girl no filme Halloween

Em 2003, Hill recebeu as honras do Women in Film. Na ocasião ela disse:

Espero que um dia não tenha a necessidade de um Women in Film [Mulheres no Cinema]. Haverá um People in Film [Pessoas no Cinema], que terá um pagamento igual, direitos iguais e oportunidades iguais para todos.

Nesse momento, assim como em todos os outros, precisamos nos lembrar dessas mulheres que fizeram e contribuem para a indústria do terror, que são parte fundamental para o gênero mas que, muitas vezes, por diversas razões, são esquecidas e ignoradas. Debra Hill teve grande responsabilidade na construção do universo significativo e imagético de Halloween, e merece ser lembrada.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.