O retorno de Todo Mundo em Pânico

Depois de mais de dez anos, Todo Mundo em Pânico retorna às telas de cinema, parodiando filmes como A Hora do Mal e A Substância.

O final dos anos 1990 e início dos anos 2000, no universo do terror, foi marcado por uma ligeira crise de identidade. O slasher estava sendo desconstruído e reconstruído com suas próprias regras autocentradas — com Pânico (1996) e suas sequências e Medo em Cherry Falls (1999) como exemplos —, além do surgimento de uma estética muito própria — marcada por Blade (1998), 13 Fantasmas (2001) e Navio Fantasma (2002), para citar alguns — e torture porn — Cabana do Inferno (2002) e A Casa dos 1000 Corpos (2003) — com certeza moldaram a década. Entre essas mudanças repentinas de estilo, novas tendências, como remakes norte-americanos de filmes japoneses e até mesmo uma retroalimentação clássicos dos anos 1980 sendo refeitos com novos jovens atores, foram sendo apresentadas ao público.

Pânico, 1996

Foi em meio a esse turbilhão e essa dificuldade de encontrar um tema claro entre as produções que mais fizeram sucesso naquele período que surgiram, também, as sátiras. Não que isso fosse uma novidade no cinema de terror. Filmes como Banho de Sangue na Casa do Terror (1984), Drácula – Morto Mas Feliz (1995) e o próprio The Rocky Horror Picture Show não deixam de ser sátiras e paródias do terror, utilizando elementos claros de outros filmes de terror “sérios” como influências claras em seus próprios roteiros. Leslie Nielsen, o astro dos filmes de comédia e quem protagonizou Drácula – Morto Mas Feliz, era, por si só, uma estrela dos filmes desse tipo. 

Rocky Horror Picture Show, 1975

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Mas, no início de 2000, algo bastante curioso aconteceu: com o lançamento de Todo Mundo em Pânico, em julho daquele ano, o terror não apenas alcançava um novo lugar de popularidade, mas também lançava seus tentáculos em outras direções. Um gênero que costuma lançar tendências em muitos casos (e não recebe tanto crédito por isso), ajudou, também, no boom de sátiras e paródias hollywoodianas que se seguiram ao longo dos anos 2000. Os Comédias (2005), Uma Comédia Nada Romântica (2006), Deu a Louca em Hollywood (2007), Espartalhões (2008), Super-Herói: O Filme (2008), Super-Heróis: A Liga da Injustiça (2008), entre tantos outros filmes foram lançados nesse espaço aberto por Todo Mundo em Pânico. Longe de nos debruçarmos sobre a qualidade desses filmes, o ponto é que essa produção, que parodiava os filmes de terror mais importantes do momento, lançou uma tendência que dominou uma parte considerável dos cinemas dos anos 2000.

Todo Mundo em Pânico, 2000

Agora, depois de mais de dez anos, Todo Mundo em Pânico retorna aos cinemas com um novo filme, tirando sarro, como sempre, dos maiores lançamentos de terror dos últimos tempos. A Macabra relembra a franquia e te conta um pouco mais sobre ela, para se preparar para o lançamento em 04 de junho.

Como tudo começou

Como todo bom filme inserido no universo do terror, o início de Todo Mundo em Pânico foi bastante tumultuado. Ao mesmo tempo em que Shawn e Marlon Wayans trabalhavam em um filme que, originalmente, se chamava Last Summer I Screamed Because Halloween Fell on Friday the 13th (que, adaptando aos títulos dos filmes citados em português, ficaria algo como “No verão passado eu entrei em pânico porque o Halloween caiu em uma Sexta-Feira 13), Jason Friedberg e Aaron Seltzer, a dupla responsável por outra paródia, Duro de Espiar (1996), estava desenvolvendo um roteiro para a Dimension Films intitulada Scream If I Know What You Did Last Halloween (que, também adaptando o título para o postuguês, seria como “Entre em pânico se eu sei o que vocês fizeram no verão passado”).

Marlon e Shawn Wayans

A Dimension foi a grande responsável pela produção de Pânico, e então trabalhava nessa ideia, comprando ambos os roteiros, e deu a Friedberg e Seltzer o roteiro dos irmãos Wayans. No fim das contas, a Writers Guild of America, o sindicato responsável pelos roteiristas, cedeu direitos de roteiro para as duas duplas, algo que fez com que os Wayans já começassem o projeto descontente, alegando que nada de Friedberg e Seltzer foi utilizado na produção.

Pôster de Todo Mundo em Pânico, 2000

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O nome escolhido, por fim, foi Scary Movie — o título original das primeiras versões do próprio Pânico, como nos conta Padraic Maroney em Pânico: O Legado do Grito. Para os papéis principais, as escolhidas foram a novata Anna Faris, em seu primeiro papel, e Regina Hall, interpretando Cindy e Brenda. Carmen Electra assumiu o papel de Drew — Jenny McCarthy e Melissa Joan Hart fizeram testes, mas não foram escolhidas. O papel de Brenda foi oferecido a Aaliyah, que protagonizou, no ano seguinte, Rainha dos Condenados, mas ela não o aceitou porque achou que o papel era uma paródia muito clara e pouco justa de Brandy, também cantora de R&B e amiga de Aaliyah, que esteve em Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1998).

A construção de uma franquia

Apesar de ter recebido críticas mistas da imprensa especializada, Todo Mundo em Pânico teve uma das maiores bilheterias de seu ano de lançamento — cerca de 278 milhões de dólares, conta apenas 10 milhões de orçamento —, e acabou se transformando em um dos filmes queridinhos dos fãs. 

Todo Mundo em Pânico 2, 2001

Os filmes que sucederam o primeiro foram lançados, em sequência quase ininterrupta, em 2001, 2003 e 2006, e depois apenas em 2013. Os irmãos Wayans permaneceram à frente do projeto, com direção Keenen Ivory — responsável também por As Branquelas — durante o primeiro e segundo filmes. Posteriormente, nos filmes três e quatro, David Zucker — veterano nas comédias de paródia, que dirigiu também Corra que a Polícia Vem Aí (1988) e Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (1980) — assumiu a direção. O quinto filme, do qual poucos se lembram, foi dirigido por Malcolm D. Lee e David Zucker.

Os Wayans saíram da produção de Todo Mundo em Pânico porque não conseguiram negociar o valor de seus salários — que, apesar das altas bilheterias dos dois filmes anteriores, ainda foi mantido o mesmo desde o primeiro filme. Quem detinha os direitos dos filmes eram a Miramax e os Weinstein, que acabaram entregando o terceiro filme nas mãos de outras pessoas. 

Agora, os Wayans retomam a franquia. 

O sexto filme

Todo Mundo em Pânico, 2026

Sendo chamado na imprensa internacional apenas como Todo Mundo em Pânico, Marlon Wayans contou, em entrevista recente à GQ que o filme é um “rebranding. Um rebootiquel. Um reboot e uma sequel”. Sobre o que houve a partir do terceiro filme, Wayans também é muito justo em dizer que eles (ele e sua família) não buscavam vingança sobre terem sido retirados do projeto: “Eles nos enviaram a outros caminhos e nós provavelmente poderíamos ter processado e tudo isso, mas essa é a forma que eu e minha família funcionamos. Eu não vou ficar remoendo em negatividade. Quando fazemos [as coisas] fazemos com amor. […] Eu não tinha nada a fazer além de meus irmãos e eu irmos embora e criarmos novas coisas como As Branquelas e O Pequenino, e eu criei Inatividade Paranormal, que acabou rivalizando com Todo Mundo em Pânico 5 e o enterrando. Mas isso não foi intencional, são coisas que acontecem”.

Dois anos depois do lançamento do quinto filme, os Weinstein se viram envolvidos no crime que abalaria suas carreiras e os tirariam do mercado de entretenimento. Até o momento, Harvey Weinstein era um dos maiores nomes da indústria, mas em 2015 o movimento Me Too escancarou algo que muitos dentro daquelas salas já sabiam: o envolvimento predatório, manipulador e a série de abusos físicos, mentais e sexuais que os Weinstein realizavam dentro dos estúdios. 

Todo Mundo em Pânico, 2026

Ainda sobre a questão dos direitos, Marlon Wayans diz, na mesma entrevista, que “[Os Weinsteins] não tiveram uma companhia retirada deles, mas duas companhias, e não fui eu que fiz isso. Isso é o carma pelas coisas que eles fizeram. A única coisa que estou fazendo é um filme, e vamos fazer um novo Todo Mundo em Pânico — não estou fazendo isso com maldade a ninguém. Estou fazendo porque eu criei isso. Nós amamos isso e queremos fazer o mundo rir de novo”.

Pôster de Todo Mundo em Pânico, 2026

Além de Anna Faris e Regina Hall que retornam aos seus papéis de protagonistas, outros nomes dos dois primeiros filmes também estão de volta: Lochlyn Munro, Chris Elliott, Dave Sheridan e Jon Abrahams voltam com seus papéis. Uma adição ao elenco que deixou os fãs de terror surpresa foi a de Felissa Rose, protagonista do clássico Acampamento Sinistro (1983). Da família Wayans, Marlon, Damon Jr., Shawn, Kim, Gregg estão como atores, com Marlon e Shawn, além de Craig e Keenen Ivory como roteiristas. 

As paródias

Todo Mundo em Pânico, 2026

Marlon Wayans também afirmou que eles se esqueceram dos outros três filmes, o que torna este uma sequência (e um reboot) da franquia a partir do segundo. A sinopse oficial é a de que, depois de mais de duas décadas, um grupo de amigos se reúne para deter um assassino serial.

Dos filmes que serão parodiados estão os grandes lançamentos de terror dos últimos anos: Corra! (2017), Longlegs (2024), Pecadores (2025), Terrifier 3 (2024), Halloween (2018), Sorria 2022), M3GAN (2023), A Substância (2024) e A Hora do Mal (2025) estão entre as referências mais claras, vistas logo nos trailers e teasers lançados até agora. E, claro, como tudo começou com Pânico, o filme, que também teve seu revival há alguns anos, faz seu comeback na franquia, com seu clássico assassino em uma nova máscara estilizada. 

Os pôsteres da produção ajudam a entrar no clima do que vem por aí.

Confira o trailer do novo Todo Mundo em Pânico abaixo:

Todo Mundo em Pânico estreia dia 04 de junho nos cinemas. E você, está curioso para conferir esse novo filme? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.