Brad e Janice, um jovem casal recém-noivado, decide comemorar seu novo status com seu professor de ciências. Ao viajar para encontrar o dr. Scott, os dois acabam sendo surpreendidos por uma tempestade, quebrando seu carro e ficando sem condições de seguir viagem. Eles encontram, porém, um estranho castelo nos arredores, que pode servir de abrigo ao jovem casal. É lá, entretanto, que as vidas de Brad e Janice mudarão completamente — e jamais voltarão a ser iguais.

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Rocky Horror Picture Show é um clássico dos musicais, dos filmes de horror e dos filmes de horror queer. Evocando o melhor dos filmes de gênero dos anos 1930 e 1950, além de compartilhar um elemento ou outro com Frankenstein, a obra segue encantando gerações nesses últimos 50 anos. Agora, em seu aniversário, retorna aos cinemas em 13 de novembro.
A Macabra celebra a produção relembrando curiosidades do filme e, quem sabe, te convencendo a revisitá-lo ou até mesmo conhecê-lo pela primeira vez.
Adaptação

O filme é uma adaptação do musical teatral escrito pelo próprio Richard O’Brien, que interpreta o mordomo Riff Raff na trama do longa. O’Brien trabalhou como ator de filmes desde 1965, entrando para o teatro, efetivamente, em 1969. Nos palcos, participou de produções como Hair e Jesus Christ Superstar; já no cinema, esteve em filmes como Cidade das Sombras e até mesmo Spice World. Além de ter atuado como Riff Raff na versão cinematográfica da peça que escreveu, O’Brien ajudou a escrever o roteiro, ao lado de Jim Sharman.
A peça foi encenada pela primeira vez em West End, em 1973, viajando até a Broadway em 1975. Desde então, tem entrado e saído de cartaz com frequência, principalmente nos palcos dos Estados Unidos e da Inglaterra.

No Brasil, oficialmente, a peça já teve duas montagens. Em 1975, mesmo ano em que chegou à Broadway, a peça se apresentou nos palcos do Teatro da Praia, com adaptação de Jorge Mautner, Joe Rodrix e Kao Rossman. Como os filmes de terror e scifi das quais a peça faz referência ainda não eram tão conhecidas do público brasileiro, algumas passagens foram adaptadas: em uma das passagens que diz “What ever happened to Fay Wray”, a atriz de King Kong tem seu nome trocado pelo de Carmen Miranda. Em 2016, a peça recebeu sua segunda montagem brasileira, dirigida e produzida por Charles Möeller e Cláudio Botelho.
Em 2026, uma nova montagem inspirada no musical de O’Brien retornará aos palcos. Ainda não temos muitas informações, mas aparentemente as apresentações irão acontecer no Teatro Viradalata, em São Paulo.
A produção

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O’Brien se inspirou em muitos filmes dos anos 1930 e 1950 quando pensou no roteiro para Rocky Horror Picture Show, mas além desses clássicos de terror e ficção científica, outros filmes fizeram parte do repertório do autor. Grande fã de filmes de terror B e ficção científica, sua intenção era reunir o tipo de humor encontrado nos chamados “schlock-horror” — os filmes de baixo orçamento que têm um típico humor ácido, geralmente resultado do próprio estilo “faça você mesmo” —, os filmes de ação cheios de músculos de Steve Reeves e o rock ‘n’ roll dos anos 1950.
Ao apresentar seu roteiro incompleto ao cineasta Jim Sharman, logo conseguiu que o diretor fizesse uma montagem experimental em Londres. Os dois já tinham trabalhado juntos nas montagens de Jesus Christ Superstar e The Unseen Hand dirigidas por Sharman. Logo a peça estava em West End, depois na Broadway, até que Sharman conseguiu levá-la aos estúdios da 20th Century Fox.

No filme, as instalações da Oakley Court deram vida ao castelo de Frank N. Furter. A casa, que fica próxima a Maidenhead, Berkshire, na Inglaterra, também foi cenário para vários filmes da produtora Hammer, como As Noivas do Vampiro (1960), que utilizou a área externa da casa nas gravações, mas no período das gravações já se encontrava bastante deteriorada.

Uma das coisas mais interessantes da adaptação dos palcos de teatro ao filme é que, em grande parte, os atores e seus papéis foram mantidos. Tim Curry, desde a montagem em Londres, manteve seu papel como o icônico Frank N. Furter. Foi dele, aliás, a ideia de apresentar o personagem com aquela sua forma de falar, um bocado empolada. Entretanto, foi decisão do estúdio que Brad e Janet, Barry Bostwick e Suran Sarandon, fossem atores estadunidenses.

Ícone queer atemporal
Lidando com a libertação sexual, personagens andróginos e o impactante lema “Não sonhe, seja”, não é de se surpreender que Rocky Horror Picture Show tenha tido um impacto enorme na comunidade LGBTQIAP+ — não apenas em seu lançamento, mas em todos os anos subsequentes.

Em seu artigo “‘Don’t Dream It, Be It’: The Rocky Horror Picture Show’s Impact on Queer Communities in the 1970s”, Jackie Roach aponta um dos paralelos importantes do momento conservador pelo qual os Estados Unidos passavam — e o resto do mundo também —, com a vivência da comunidade LGBTQIAP+: “Enquanto Brad e Janet dirigem para anunciar seu noivado, o rádio do carro toca ao vivo o infame discurso de renúncia de Richard Nixon, proferido em 8 de agosto de 1974. Nixon era abertamente homofóbico, especialmente em relação à homossexualidade retratada na mídia popular (‘Tapes Reveal Nixon’s Prejudices Again’)”.

Roach continua: “A presença do discurso no carro estabelece o mundo do filme, um mundo abertamente hostil à homossexualidade de qualquer tipo. O mundo exterior é ventoso, chuvoso e escuro. Isso contrasta fortemente com o mundo que Brad e Janet vivenciam dentro do castelo de Frank, um mundo que lhes permite explorar suas identidades em meio a cores vibrantes e calor humano. Há um forte paralelo entre os dois mundos em que as pessoas queer existiam durante esse período: o mundo homofóbico de Nixon e do conservadorismo popular, e o calor e a segurança dos espaços queer que encontraram”.
“Rocky Horror Picture Show teve um impacto incrível e abrangente nas comunidades queer dos Estados Unidos, um impacto que explodiu em meio ao conservadorismo da era Nixon e encorajou pessoas LGBTQ+ a se reunirem, se expressarem e divulgarem sua arte em um mundo que tentava ativamente silenciá-las. A comunidade de fãs floresceu e continua a prosperar até hoje”
“A popularidade do filme entre pessoas queer na década de 1970”, continua Roach, “levou a exibições regulares à meia-noite, e pessoas LGBTQ+ puderam construir uma comunidade nacional onde eram livres para se expressar e celebrar sua sexualidade com aqueles que entendiam suas lutas”. Na novelização de Basket Case, escrita por Armando Muñoz, nós acompanhamos as idas de Duane e Belial a uma dessas exibições de meia-noite, onde um grupo teatral se apresenta. Belial, no livro, é um grande fã de Rocky Horror Picture Show, ele mesmo se sentindo um desses desajustados.

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Rocky Horror Picture Show retorna aos cinemas para os seus 50 anos. Confira no site Ingresso.com as localidades e os ingressos disponíveis. E você, pretende conferir essa obra incrível nos cinemas? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

