A Noiva!, de Maggie Gyllenhaal, estreia nos cinemas

A nova abordagem de Maggie Gyllenhaal da clássica história de A Noiva de Frankenstein chega aos cinemas em 5 de março, e a Macabra te conta um pouco sobre a produção.

Frankenstein, de Mary Shelley, é uma daquelas obras atemporais que inspiram outros artistas a explorarem potenciais narrativos. A palavra “Frankenstein” imediatamente nos conduz a um pensamento: mesmo aqueles que não leram o livro conhecem o “monstro”, sabem do que se trata, por alto, a história. De Frankenweenie a Frankenhooker, do filme de Bernard Rose, que traz a Criatura para os dias atuais, ao esforço de Kenneth Branagh de se aproximar do romance original, as tentativas de dar vida à criação de Mary Shelley foram incontáveis.

Frankenstein, 1931

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Nos últimos anos tivemos algumas muito bem-sucedidas. Frankenstein, de Guillermo del Toro, contou com cenários e trajes belíssimos, e um roteiro que agradou a crítica e o público, em sua maioria. Pobres Criaturas, de Yorgos Lanthimos, dividiu opiniões, mas sua execução não deixou dúvidas de ser um sucesso. Lisa Frankenstein, apesar de um lançamento mais modesto, logo conquistou seu público. 

Agora, depois de alguns anos após o anúncio dessa produção, é a vez do filme de Maggie Gyllenhaal chegar aos cinemas. A Macabra te conta um pouco sobre a produção e comenta sobre o que podemos esperar de A Noiva!

Lá vem A Noiva!

Protagonizado por Jessie Buckley e Christian Bale, o filme acompanha dr. Frankenstein e sua Criatura (Bale) na Chicago dos anos 1930. Os dois estão procurando dr. Euphronius (Annette Bening) para criarem uma companheira para a Criatura. Quando os dois doutores conseguem reanimar uma jovem moça que foi assassinada (Buckley), ela acaba se mostrando muito mais do que eles haviam esperado, não apenas chamando a atenção da polícia como também iniciando um movimento para transformação social.

O filme ainda conta com Jake Gyllenhaal e Penélope Cruz no elenco. Bastante diferente de seu antecessor — A Noiva de Frankenstein (1935), dirigido por James Whale —, podemos logo perceber, tanto pelo trailer quanto por sua sinopse, que o filme não é um remake, mas tem inspirações na produção. Apesar de hoje ter sido tomado como símbolo, A Noiva de Frankenstein, de Whale, não era, em si, preocupado com uma agenda. Na verdade, uma das maiores críticas é o fato da parca aparição da personagem no filme que leva seu nome. Porém, ainda assim, o fato de ter rejeitado os motivos de sua própria criação — a clássica cena em que a Noiva (Elsa Lanchester) grita ao notar a Criatura Boris Karloff) a esperando — a tornaram uma espécie de inspiração para várias mulheres fãs de terror.

Agora, entretanto, Maggie Gyllenhaal aposta em uma nova abordagem. A Noiva, logo no trailer, se recusa a ser chamada de “A Noiva de Frankenstein”, demandando que seja chamada apenas de “a Noiva”. Ela não parece nada discreta — seu visual, inclusive, investe na cor laranja, em vez da mortalha branca usada anteriormente por Lanchester. Ela fala, também, a respeito de outras mulheres mortas que não têm a oportunidade de usar sua voz. 

O consentimento também é abordado por Gyllenhaal, que afirmou, em entrevista citada no Deadline, “Eu não posso fazer um filme sobre a Noiva do Frankenstein sem que o consentimento esteja envolvido, porque ela, sobretudo, diz não no filme. Você pode dizer, em certo nível, que no nascimento nós também não temos muito a dizer, mas nós não nascemos mulheres crescidas. E não nos dizem que nós fomos feitas para que outra pessoa se case conosco”.

Eu entendo o pedido de Frankenstein, ele é muito solitário, um homem vulnerável que está literalmente em uma solidão digna de vida ou morte, dizendo ‘Por favor, me ajude a encontrar alguém com quem eu possa estar’. Mas e ela? O que dizer sobre ela?

Assista ao trailer do filme A Noiva! abaixo:

O estouro de Maggie Gyllenhaal

Maggie Gyllenhaal teve seu primeiro grande papel como atriz no filme Secretária, ao lado de James Spader. Na história, Gyllenhaal é uma jovem secretária que inicia um romance sadomasoquista com seu chefe (Spader). Entre seus cerca de cinquenta créditos como atriz, Gyllenhaal já esteve em filmes como Donnie Darko (2001), O Sorriso de Mona Lisa (2003), Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), Coração Louco (2009) e a série The Deuce (2017–2019). Nesta última, interpretou uma mulher que se torna diretora de filmes adultos, o que a fez ter vontade de ela mesma se tornar diretora.

A Noiva!, porém, não é seu filme de estreia. Em 2020, Gyllenhaal dirigiu um episódio da série Feito em Casa. No ano seguinte, em 2021, dirigiu seu primeiro longa-metragem, A Filha Perdida. O filme teve uma recepção morna do público, mas teve críticas positivas tanto da audiência como da mídia especializada.

Agora, Gyllenhaal investe na ação, no terror e na violência. Um dos pontos-chave de seu mais novo filme é justamente a parte violenta — que inclui a violência sexual —, pela qual tem sido criticada. Em entrevista ao The New York Times, a cineasta conta que, em uma das exibições de teste (que são comumente feitas em filmes de grandes estúdios), uma mulher disse “eu não quero ver uma mulher sendo violentada”. “Eu também não quero ver isso”, comentou a cineasta. “E, no entanto, essa é uma grande realidade na cultura em que vivemos — só no período em que eu estava editando este filme, quanta brutalidade perturbadora contra mulheres houve no mundo. Então, se vamos ver isso, precisamos ver de uma forma muito difícil de assistir, porque é muito horrível.”

“Tenho certeza de que refleti bastante sobre esse assunto, mas ainda assim será difícil de assistir. Acho que conseguiremos suportar”, continua. Gyllenhaal teve sua carreira marcada por personagens que estão em uma linha sexual bastante tênue, como no caso de Secretária e The Deuce. “E se você sabe alguma coisa sobre mim, se já viu algum dos meus trabalhos […], é algo sobre o qual tenho refletido bastante.”

A Noiva!, pela visão de Gyllenhaal, pretende ser um estouro — com ponto de exclamação no final e tudo. Para ela, “Não foi por descuido” que a exclamação entrou no título, como conta em entrevista para o LA Times: “Se você é Ida ou Mary Shelley, ou muitas mulheres no mundo, e foi reprimida, silenciada e impedida de expressar tudo o que queria ou precisava expressar, é como se você tivesse a mão em um gêiser. Quando o gêiser finalmente se rompe, ele vai se romper com uma energia muito maior. E talvez seja daí que venha o ponto de exclamação”.

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Como fãs de Frankenstein, estamos curiosos para ver o trabalho de Maggie Gyllenhaal e como ele se colocará diante do cânone. A Noiva! estreia dia 05 de março nos cinemas. Quais suas expectativas para o filme? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.