Poucos gêneros captam tão rapidamente as inquietações de uma época quanto o terror. Insaciável, de Natalie Erika James, que estreia nos cinemas em 6 de agosto, transforma uma das discussões mais urgentes da atualidade em combustível para o horror.

Enquanto rolamos os feeds das redes sociais, nos deparamos com inúmeras pessoas que parecem ter alcançado o tão celebrado “corpo perfeito”. Não por acaso, a indústria do bem-estar movimenta bilhões todos os anos, alimentando a promessa de que se encaixar no padrão de beleza do momento é o caminho para uma vida mais feliz, saudável e bem-sucedida.

Para sustentar essa narrativa, ela frequentemente explora inseguranças, comparações e frustrações, transformando corpos em projetos intermináveis de aperfeiçoamento. Pouco importa a realidade de cada pessoa, a mensagem é sempre a mesma: basta seguir a dieta da vez, comprar o suplemento do momento ou investir naquele produto que promete finalmente mudar a sua vida.
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Mas nem tudo que está na internet é real. E basicamente esse é o tema central de Insaciável.
Quem é Natalie Erika James
Um dos grandes nomes para se acompanhar no cenário de terror atual, Natalie Erika James é uma cineasta australiana-americana, nascida nos EUA, mas criada na Austrália. Começou a mostrar seus curtas para o mundo desde 2011, e foi em 2020 que James despontou realmente como uma diretora de terror para se ficar de olho.

Seu primeiro longa gerou burburinhos nos circuitos de fãs do gênero. Relíquia Macabra, protagonizado por Robyn Nevin, Emily Mortimer e Bella Heathcote, conta a história de três gerações de mulheres que, ao visitarem a mais velha delas, acabam assombradas por uma manifestação aterrorizante. Triste, melancólico e cheio de reflexões — sobre envelhecer, sobre o cuidado de mulheres no cuidado de parentes, sobre as heranças que carregamos e nem sempre queremos —, o filme foi bastante elogiado e comentado entre os fãs e a crítica.

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Não demorou para que a cineasta assumisse projetos maiores: seu segundo longa foi Apartamento 7A, um prequel de O Bebê de Rosemary, protagonizado por Julia Garner, Dianne Wiest, Jim Sturgess e Kevin McNally. Amplamente criticado desde que era apenas um projeto, Apartamento 7A tem suas qualidades, incluindo uma excelente direção de James, mas não caiu nas graças do público — muito por carregar o estigma de “mexer” em uma história clássica.

O que está te consumindo?
O mais novo longa de James é Insaciável, escrito e dirigido por ela e protagonizado por Midori Francis. A sinopse oficial, disponibilizada pela distribuidora do filme no Brasil, a Diamond Films, diz que: “Hana (Francis), uma estudante de medicina, se deixa consumir por uma obsessão perigosa com o próprio corpo e a perda de peso. Influenciada por uma amiga que emagreceu rapidamente, ela inicia um programa extremo de consequências irreversíveis, baseado em pílulas para emagrecer que escondem um segredo macabro: são produzidas a partir de cinzas humanas”.
Confira o trailer de Insaciável a seguir:
Combinando um certo tipo de canibalismo, necrofilia e a tentativa de emagrecimento a qualquer custo, Natalie Erika James busca entregar um filme de body horror sobrenatural que crítica essa visão aterrorizante de comparação e padronização de corpos. Em entrevista ao Bloody Disgusting, a cineasta comenta que crê que seu público, ou aqueles a quem ela deseja conversar, sejam pessoas que passaram pelas mesmas lutas, de dismorfia corporal e transtornos alimentares. “Quando eu estava crescendo, não havia ninguém falando sobre esse tipo de assunto de maneira tão explícita”, diz ela. “Acho que o terror permite fazer isso. Já muitos dos filmes que vi sobre o tema pareciam vir com uma embalagem bem certinha, uma mensagem quase moralista.”

Mas, para a cineasta, as coisas nem sempre são preto no branco, e nem todos esses filmes capturam essa tensão que há entre certos sentimentos e os altos e baixos do comportamento compulsivo. Para ela, inclusive, seu filme também deve atingir uma audiência mais ampla, com pessoas que passam por esses comportamentos em outros níveis.
James ainda comenta que acha que o terror “permite ir um pouco além, sempre com a intenção de causar o impacto emocional adequado. Não é tão eficaz forçar as coisas apenas por forçar; é preciso que isso esteja sempre ligado a alguma verdade emocional. Mas acredito que o terror possibilita explorar territórios onde se consegue equilibrar o absurdo com temas realmente angustiantes”.

Pelo que o trailer indica, Insaciável promete servir uma generosa dose de body horror. E, para além das cenas perturbadoras e das transformações grotescas, o filme também parece disposto a provocar reflexões. Quando A Substância, de Coralie Fargeat, estreou em 2024, desencadeou discussões sobre etarismo, padrões de beleza e a toxicidade da indústria do bem-estar. Agora, torcemos para que Natalie Erika James também consiga ampliar esse debate, lançando luz sobre a cultura do emagrecimento a qualquer custo e os impactos de uma sociedade obcecada pela aparência.
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Insaciável, de Natalie Erika James, estreia nos cinemas brasileiros em 6 de agosto. E você, curioso para conferir o filme? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

