5 Efeitos especiais icônicos do terror e como eles foram produzidos

Somos fãs de um bom efeito prático, então listamos cinco efeitos especiais icônicos do terror e quem foram os responsáveis por eles.

Durante muitos anos nutriu-se uma ideia de que os filmes de terror eram, em sua maioria, feitos com baixos orçamentos e não rendiam tanto dinheiro quanto um filme “convencional” — é por causa dessa ideia, inclusive, que nossos filmes quase nunca foram levados a sério; e, quando foram, tentaram dar outros nomes a eles, encaixá-los como suspense ou coisa que o valha.

Mas isso também fez com que o terror se reinventasse sempre que necessário. Uma dessas reinvenções foi através das maquiagens e dos efeitos práticos. Ficamos mestres nessa arte, e os trabalhadores dessa indústria dentro do gênero se tornaram nomes grandiosos: em alguns casos, realmente trabalhando com orçamentos baixíssimos e precisando de muita criatividade para conseguirem finalizar o que havia sido imaginado; em outros, com um pouco mais de grana, mas ainda assim precisando quebrar a cabeça para descobrir como transformar um ator em um monstro enorme de mais de 2 metros.

Relembramos cinco dos nossos trabalhos favoritos dentro da maquiagem e dos efeitos práticos para celebrar esse trabalho tão especial. Vem com a gente!

O Exorcista

Um dos maiores filmes de terror da história do cinema não poderia passar sem contar com um dos maiores nomes da história dos efeitos práticos. Dick Smith, auxiliado por Rick Baker, foi a mente por trás dos efeitos em O Exorcista, e elevou o patamar do que havia sido feito até então nesse gênero — e olha que o terror quebrou muitos paradigmas ao longo dos anos quando falamos de efeitos especiais e práticos. Pioneiro no uso da espuma de látex e de plásticos nas criações de maquiagens e próteses, Smith deu vida às ideias de Friedkin e ajudou a criar um dos maiores pesadelos do mundo: a garotinha possuída Regan. 

Não foi apenas Dick Smith e seu time que suaram muito a camisa nessa produção. O Exorcista contou também com uma boa dose de atuação de Linda Blair, que sofreu inclusive uma fratura na parte inferior da coluna por causa de uma falha mecânica em uma das cenas. Apesar de terem contado com a ajuda de animatrônico em algumas sequências, grande parte do filme, incluindo a cena em que a cama chacoalha, foi feita por Blair e por mecanismos na cama.

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O Enigma de Outro Mundo

À primeira vista, todos os visuais do alienígena que invade e se transforma nos corpos dos cientistas enviados na missão da Antártida parecem algo saído diretamente da computação gráfica. Não é possível que aquilo tenha sido feito com efeitos práticos, é? Na verdade, é sim. Algumas entrevistas — consideradas raras, mas que, graças aos esforços dos fãs, estão disponíveis na internet — mostram Rob Bottin, lenda dos efeitos especiais, falando de seu trabalho no filme de John Carpenter. Na entrevista, ele explica seu trabalho de supervisor de efeitos especiais, e conta como está à frente de cerca de 35 pessoas, de diferentes etapas do processo, trabalhando com ilustradores, criadores de moldes, escultores e com a parte mecânica para criar esses detalhes tão reais. 

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Mas não foi apenas Bottin que fez um trabalho estupendo. Uma das partes mais assustadoras do filme é a sequência do cachorro-coisa, da qual o supervisor de efeitos especiais contou com uma mãozinha de outra lenda: Stan Winston e seu time trabalharam ativamente para realizar uma das ideias de Rob. Como faltava tempo para que a criação fosse mecânica, como outros adereços usados no filme, o cachorro-coisa acabou sendo um boneco de mão, e contou com Lance Anderson, do time de Winston, para torná-lo ativo. O boneco em si foi projetado em grande parte pelo próprio Anderson, James Kagel e Michiko Tagawa.

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Um Lobisomem Americano em Londres

Não há dúvidas de que a transformação de lobisomem mais aterrorizante do cinema de terror é do clássico Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis, outro filme que contou majoritariamente com efeitos especiais práticos. Realizar uma transformação de lobisomem em efeitos práticos não é um feito pra qualquer um, então foi necessário contar com a sabedoria e o talento de uma peça fundamental na história dos efeitos do cinema: Rick Baker, um dos maiores trabalhadores da área que já tivemos a honra de acompanhar.

Essa transformação não foi apenas uma jogada brilhante pro filme, como também rendeu um Oscar a Baker em uma categoria criada ainda naquele ano — a categoria de Melhor Maquiagem. Próteses, jogada de câmera e uma baita atuação de David Naughton fizeram com que Um Lobisomem Americano em Londres entrasse para a história dos filmes de terror e dos efeitos especiais: “Houve uma renascença dos efeitos de maquiagem nos anos 1980 e isso realmente começou com Um Lobisomem Americano em Londres. Estabeleceu a maquiagem como uma legítima forma de arte”, é o que comenta Hector Sotomayor, professor de estudos fílmicos na Ringling College of Art & Design, em Sarasota, para a BBC. 

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A Mosca

Outro filme que é bastante impressionante ter sido feito somente com efeitos práticos é A Mosca, e isso se dá graças à sua criatura-título. Assim como Um Lobisomem Americano em Londres, A Mosca conta com uma transformação bizarra que acontece quase diante da câmera: vemos Seth Brundle, interpretado brilhantemente por Jeff Goldblum, se transformar aos poucos em uma assustadora mosca gigante e mutante, e isso tudo foi feito com maquiagens e animatrônicos e uma boa quantidade de genialidade.

Estágios da transformação em A Mosca

Chris Walas, designer de A Mosca

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Com as sketches e maquiagem criadas por Chris Walas, Stephan DuPuis e sua equipe, Seth Brundle não apenas ganhou vida como uma mosca, mas se transformou lentamente, passo a passo, em uma criatura medonha. De réplica mecânica da cabeça de Goldblum a um enorme boneco manipulado por uma equipe, que continha pedaços de pele caindo e um tipo de gosma constante escorrendo de si mesmo, os efeitos práticos de A Mosca, de Cronenberg, são, ainda hoje, algo único no cinema de terror.

Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio

O orçamento do qual Sam Raimi e sua equipe tinham para fazer o primeiro Evil Dead era coragem, força de vontade e muita criatividade. Todos eles foram criados em conjunto por Raimi, Tom Sullivan, seu coordenador de efeitos especiais, e uma equipe pequena, com um baixo orçamento, no melhor estilo feito à mão e DIY. Para as maquiagens dos deadites, Sullivan esculpiu à mão espuma de látex; para o sangue, foi usada uma mistura caseira de Karo — um tipo de xarope grosso norte-americano —, creme para café, corante alimentício vermelho e um pouquinho de café para escurecer o tom; e um dos efeitos mais icônicos feito à mão foi a famosa “shaky cam”, ou “Ram-o-Cam”, pois, como não tinham dinheiro para uma steadicam, Raimi construiu uma com uma câmera comum e placas de madeira.

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Os primeiros filmes da franquia Evil Dead, ainda comandados por Raimi, são a prova de que engenhosidade às vezes pode superar um orçamento alto. Os efeitos, hoje, podem até gerar alguns risinhos e deboches de alguns fãs menos acalorados, mas são, sem dúvida, um dos maiores feitos do cinema de terror — contra todas as normas de segurança em set de filmagens, sim, mas um excelente trabalho.

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No Brasil, Rodrigo Aragão é nosso mestre dos efeitos práticos. Seus filmes, como Mangue Negro (2008), A Noite do Chupacabra (2011) e Mar Negro (2013) são ótimos exemplos de como essa arte dos efeitos práticos e da maquiagem é rica e pode transformar a atmosfera de uma produção. Junto de sua equipe, Aragão faz um trabalho primoroso. Confira a entrevista que fizemos com o cineasta aqui no blog.

Museu dos Monstros, de Rodrigo Aragão

E você, qual o seu efeito prático e maquiagem favorita do cinema de terror? Comente com a gente no Instagram e em suas redes sociais.

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Acordo cedo todos os dias para passar o café e regar minhas plantas na fazenda. Aprecio o lado obscuro da arte e renovo meus pactos diariamente ao assistir filmes de terror. MACABRA™ - FEAR IS NATURAL.